Seminário repassa vida e obra de político e pensador tcheco

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 11/05/2012 às 12h

Seminário repassa vida e obra de político e pensador tcheco

Václav Havel foi o último presidente da antiga Tchecoslováquia e o primeiro mandatário da República Tcheca durante os primeiros dez anos de sua criação. Mas o homem público, político idealista de valores fortes tornou-se conhecido anos antes por suas obras de teatro e sua poesia. Para revisitar suas múltiplas habilidades foi preciso reunir poetas, políticos, atores, literatos e tradutores no auditório da Reitoria. O objetivo do encontro foi sensibilizar um público cada vez mais amplo sobre temas transversais presentes na obra de Havel.

Representando a UnB, estiveram presentes o vice-reitor João Batista de Sousa, a diretora da Assessoria Internacional, Ana Flávia Barros e Granja e a diretora do Instituto de Letras, Maria Luísa Ortiz.

Segundo o vice-reitor João Batista de Sousa, a importância do político e intelectual tcheco é tão grande que a UnB se sente homenageada por debater seus textos e sua trajetória política. “No momento que a comunidade universitária se reúne para honrar um personagem tão ilustra, ela também se sente homenageada”, disse.

Francisco Fontan-Prado, conselheiro da delegação da União Européia, concorda com a transcendência de Havel, que ultrapassou as fronteiras de seu país, tornando-se um exemplo para todos os europeus. “A diversidade e competência das atividades de Havel o tornaram uma das raras figuras europeias de consenso”, afirmou o espanhol. “Ele foi o melhor que a Europa produziu para os europeus e para o mundo”, complementou.

BIOGRAFIA – Havel nasceu em Praga, em 1936. Filho de pai empresário de grande influência e criado entre intelectuais, ele viu sua família ter seus bens expropriados durante a Segunda Guerra. Tornou-se conhecido como dramaturgo aos 27 anos com sua peça “Confraternização de Jardim”, em 1963. Pertenceu a uma geração de ouro de intelectuais nos anos 1960, que participaram da Primavera de Praga. Foi preso diversas vezes por confrontar o regime comunista da época e tornou-se um símbolo da oposição. “O governo falsifica o passado, o presente e o futuro. Finge que não finge nada. Ele tem o poder de um colosso com pernas de barro”, disse em referência ao antigo governo do soviético que influenciava os países do leste europeu.

Nos anos 80 foi eleito para o parlamento federal tcheco e anos mais tarde foi conduzido à presidência da Tchecoslováquia. Ele não conseguiu manter a unidade do país e governou a República Tcheca durante dez anos.

“Ele soube como poucos combinar as letras e a carreira política. Manteve o contato com outros intelectuais dissidentes, sua visão idealista e a luta por ajudar seu país a obter a democracia e a liberdade”, disse Ivan Godoy, jornalista e coordenador do seminário.

POESIA – A trajetória do poeta Václav Havel foi explicada pelo professor Ernesto Melo e Castro. Os poemas de Havel eram visuais com palavras dispersas de formas especiais, sem métrica nem rima. Ele fazia uso da repetição e do paralelismo para repassar humor e pensamento crítico. “Os poemas de Havel têm uma qualidade estética diferente de outras poesias visuais. Ele foi um grande criador”, disse Melo e Castro. Alguns de seus poemas e obras de teatro foram traduzidos por Eva Batlickova, editora de nacionalidade tcheca, no livro Poesia e Teatro. A coletânea pode ser adquirido na página da editora Anna Blume.

Parte de sua obra literária foi interpretada pelo professores do departamento de Teoria Literária e Literatura, Augusto Rodrigues e André Gomes. Partes da peça Confraternização de Jardim e do livro de poemas Anticódigos foram apresentados pelos “atores”.

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 11/05/2012 ás 12h

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