Sem espaço para a intolerância

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 02/03/2013 às 10h

Manifestações por toda a universidade demonstram a indignação de alunos, professores e servidores conra a atos de violência e preconceito

A comunidade acadêmica da Universidade de Brasília dá mostras diárias de que a intolerância e a violência não são bem-vindas nos campi. Uma extensa lista de atividades organizadas pelos diversos segmentos da universidade cria uma agenda de repúdio a atos como a agressão sofrida na semana passada por uma estudante da Agronomia, que relata ter sido atacada com soco e pontapés e chamada de “lésbica nojenta” no estacionamento da ala sul do Instituto Centro de Ciências (ICC). A rápida reação da UnB já foi vista em manifestações de alunos (veja aqui) e em ações de combate à homofobia anunciadas por dirigentes da instituição (veja aqui). Nos próximos dias, mesmo com o fim do semestre letivo, as demonstrações de que a UnB luta por respeito e tolerância vão continuar.

Em defesa sistemática pelos direitos da mulher, o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Mulher (Nepem/UnB) promove na semana que vem dois encontros sobre questões de gênero. Na segunda-feira, 4 de março, um debate aberto tratará de questões da violência contra a mulher no auditório do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares. Dois dias depois, o auditório do Instituto de Psicologia sediará uma roda de conversas pertinente a questões de gênero próprias da universidade. “A reflexão é fundamental para estabelecermos o papel de vanguarda da universidade na defesa dos direitos humanos. É isso o que a sociedade espera de nós”, avalia a professora Tânia Mara Campos de Almeida, coordenadora do Nepem.

A professora Tânia informa que na próxima semana vai pedir a distinção de gênero em seu diploma de doutorado. O documento passará a trazer o termo “doutora” em lugar de “doutor”, como prevê a Lei 12.605, assinada pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado. O pedido vai ser realizado na companhia de outras professoras em ato afirmativo simbólico na Secretaria de Administração Acadêmica (SAA).

O movimento estudantil também tem se articulado na luta contra a violência. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) integra e apoia manifestações de repúdio à homofobia e já deu início à organização da 3ª Semana da Diversidade e Tolerância, um ciclo de atividades que deve tomar conta dos campi em abril. “Temos que batalhar pela conscientização de que a intolerância é incompatível com a universidade plural que temos”, avalia Nicolas Powidayko, coordenador geral do DCE. A busca pelo respeito às diferenças também é uma das bandeiras defendidas por Luch Laporta, aluno do 3º semestre Serviço Social. “A UnB não é uma bolha. Ela muitas vezes reflete a homofobia, o machismo e o racismos existentes na sociedade”, lamenta ele, que integra a Associação Nacional dos Estudantes – Livre (Anel).

A suscetibilidade dos campi a casos de extrema intolerância é preocupação recorrente do Grupo de Trabalho de Combate à Homofobia da UnB. Coordenado pelo professor da Faculdade de Educação José Zuchiwschi, o GT começou a produzir uma cartilha pela tolerância à diversidade para ser distribuída com o kit de boas-vindas entregues aos calouros. “Não estamos imunes a ações de grupos fundamentalistas. Temos a responsabilidade de lutar para assegurar a convivência pacífica na UnB”, diz. O professor lembra da postura atuante do grupo, um dos primeiros a se manifestar em episódios como o das pichações homofóbicas no Centro Acadêmico de Direito. (Veja aqui)

O GT de Combate à Homofobia, junto a outros grupos de defesas de minorias, vai integrar uma diretoria exclusiva para tratar de assuntos relacionados a diversidade sexual, gênero, etnia, raça e acessibilidade na UnB. A criação do órgão foi anunciada na semana passada pela decana de Assuntos Comunitários, Denise Bomtempo. (Leia aqui) A previsão é de que os trabalhos sejam iniciados em abril.

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 02/03/2013 ás 10h

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