Sem consenso, ministros decidem retomar discussão em próximo encontro

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
A reunião ministerial da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada ontem na capital do Equador, terminou sem a assinatura de uma declaração conjunta, mas o texto "continuará sendo trabalhado" e provavelmente haverá outro encontro após a Assembleia Geral da ONU, na próxima semana, anunciou o chanceler equatoriano, Fander Falconí.

Ontem, os representantes dos 12 países sul-americanos tinham o objetivo de definir parâmetros para que os governos da região troquem informações sobre estratégias de defesa e ações militares, tendo como plano de fundo o tratado entre Washington e Bogotá que permitirá o envio de um contingente de até 1.400 pessoas (entre militares e civis) para operarem em sete bases colombianas.

Tal acordo gerou tensão entre os países da região. Venezuela, Equador e Colômbia acreditam que este representa uma "ameaça" à soberania e à segurança local. Outras nações, como Argentina e Brasil, demonstraram preocupação e pediram garantias.

Os chanceleres e ministros da Defesa do organismo discutiram por cerca de nove horas, baseando-se em uma declaração apresentada pelo Equador, presidente do turno do bloco, constituída por seis pontos: intercâmbio de informação, transparência em gastos de defesa, cooperação em atividades militares, cumprimento e verificação, impactos migratórios ou ambientais e garantias. Contudo, a Colômbia se recusou a apresentar detalhes do acordo militar que negocia com os Estados Unidos.

Segundo Falconí, a reunião atingiu 70% do esperado na discussão dos pontos apresentados pela declaração de seu país e registrou "entraves" em dois temas: no consentimento de um terceiro país aprovar acordos militares binacionais e os tipos de garantias sobre isto.

Diante destas questões, a delegação colombiana solicitou um prazo para analisá-las, a fim de poder assinar a declaração final e o novo encontro, ainda sem data, deverá discutir já com as considerações colombianas.

Para o ministro equatoriano da Defesa, Javier Ponce, houve consenso em algumas questões de garantia, como no compromisso de que atividades de forças armadas estrangeiras em determinado país não sejam estendidas a nações vizinhas.

"Os doze países estão absolutamente de acordo que se demandem garantias. O que há que estabelecer é até onde irão estas garantias, particularmente no caso dos convênios internacionais como, por exemplo, o caso do convênio entre Estados Unidos e Colômbia", observou o ministro.

Ponce indicou ainda que "houve pleno consenso" na necessidade de intercâmbio de informação e transparência, assim como na homologação dos informes de cada país sobre os gastos em defesa e a notificação do "desenvolvimento de exercícios militares com países tanto da região ou extrarregionais".
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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