Seleção Brasileira de tênis de mesa terá base de treinos na Alemanha e na China

Fonte Ministério do Esporte 16/08/2014 às 11h
Os jogadores brasileiros da Seleção Brasileira de tênis de mesa passarão a morar e treinar na Alemanha a partir da próxima temporada europeia, que se inicia em setembro e segue até maio de 2015. Os atletas defenderão clubes na Liga Alemã, hoje a mais forte do mundo na categoria masculina. A iniciativa faz parte do planejamento da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) e foi repassada pelo presidente da instituição, Alaor Gaspar Azevedo, ao secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, em Brasília (DF).

O presidente da CBTM trouxe o relatório das mais importantes medalhas internacionais conquistadas por seu esporte em 2013. Foram 66 de ouro, 33 de prata e 67 de bronze, dos olímpicos; 31 de ouro, 30 de prata e 47 de bronze, dos paraolímpicos.

A evolução do tênis de mesa tem sido rápida, com grandes resultados também este ano, como a chegada da Seleção feminina à divisão de elite no Mundial por Equipes, em Tóquio, entre abril e maio. Pela primeira vez, as duas seleções, feminina e masculina, estão na divisão principal – a seleção masculina já tem o 12º lugar como melhor colocação na história no ranking da Federação Internacional (ITTF, na sigla em inglês). As garotas chegaram à elite com Caroline Kumahara, Lígia Silva, Gui Lin e Jéssica Yamada.

Como os campeonatos são intercalados ano a ano, entre a competição individual e por equipes, o Mundial Individual será em 2015, em Suzhou, na China. Neste ano o Brasil também já mostrou evolução individual. Em maio, pela primeira vez na história, três jogadores estavam entre os 100 do mundo: Gustavo Tsuboi, que pulou do 69º posto para o 36º , Cazuo Matsumoto, 83º, e Hugo Calderano, de 18 anos, 78º e terceiro do mundo no ranking juvenil. Em agosto, o Brasil já tinha os três entre os 70 do mundo. Tsuboi subiu para 35º – a melhor colocação da história do tênis de mesa brasileiro –, Calderano passou a 64º e Matsumoto a 68º.

Trabalho planejado

O secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, comentou que, além dos resultados, deve ser destacado o trabalho de planejamento, feito para subir ano a ano. “Todo mundo quer ser campeão mundial, mas um campeonato sul-americano também tem seu valor”, disse.

Para Alaor Azevedo, quando foi possível unir a experiência a recursos, em 2010/2011, no caso do governo federal – a partir da escolha do Rio de Janeiro (RJ) como sede olímpica de 2016 –, o tênis de mesa evoluiu rapidamente. “Foi um salto!”, avaliou o presidente, explicando que, a partir da aprovação de convênios com o Ministério do Esporte, pôde contratar um consultor internacional para traçar um plano estratégico da CBTM.

Pela experiência e por resultados, o acordo foi feito com o francês Michel Gadal para o ciclo olímpico que vai até os Jogos Rio 2016, incluindo os Jogos Olímpicos da Juventude, que começam neste sábado (16.08), na China, os Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015, no Canadá, e o Mundial Individual da Malásia, em 2016.

Traçado o que se chamou de Plano Estratégico, foi contratado o técnico Jean-René Mounier, também francês e campeão olímpico, para dirigir a Seleção masculina. “De acordo com o volume de recursos obtidos, fizemos o projeto visando a etapas anuais, o que incluiu uma equipe multidisciplinar e acompanhamento individual dos atletas”, explicou Alaor Azevedo.

Além da equipe multidisciplinar, foram chamados consultores, com contratos por um determinado número de dias espalhados pelo ano, como François Ducasse, ex-tenista francês que hoje é um dos grandes nomes do mundo na psicologia do esporte. “O contratado mais recente é o técnico sueco Peter Karlsson, que foi pentacampeão mundial, para trabalhar com a gente por 50 dias no ano”, informou Alaor Azevedo.

Base na Alemanha

Agora, como os consultores franceses que eram do Insep (Centro de Alto Rendimento da França) passaram a trabalhar na Alemanha, os brasileiros também mudarão seus treinos na Europa, já em setembro.

“Nossa base será na cidade de Ochsenhausen. Lá treinarão os atletas brasileiros, que passarão a defender clubes na Liga Alemã. Hugo Calderano será do próprio Ochsenhausen. Além dele, lá estarão treinando Gustavo Tsuboi, Cazuo Matsumoto, Vitor Ishii e Eric Jouti. Tiago Monteiro, que mora em Argentan, na França, também fará treinamentos na nossa base alemã”, afirmou o dirigente. “O técnico Mounier, o preparador físico Mikael Simon e o fisioterapeuta Stef Mathieu, todos franceses, comandarão os trabalhos.”

O Plano Estratégico previu várias ações como a vinda de sparrings diversos para treinar com os atletas no Brasil, no Centro de Treinamento de São Caetano, onde fica o técnico cubano Francisco Arado, o “Paco”. São dez dias a cada dois meses – “principalmente jogadores defensivos, que exigem paciência dos adversários” – e intercâmbio internacional dos brasileiros – para as garotas, por exemplo, serão períodos de dez a 15 dias no clube Luneng, na China, participando da Superliga Chinesa como o time CBTM-State Grid Brasil.

Caça de talentos na base

Ao mesmo tempo, a CBTM trabalha com a base no Brasil. O português Ricardo Faria é o técnico das equipes juvenis e de novos talentos, entre 7 e 11 anos, responsável também por um trabalho continuado com técnicos brasileiros. Para 2015, haverá dois períodos anuais de treinamento conjunto para garotos.

“Seguimos o modelo francês, mesmo com apenas 10% do número de jogadores que eles têm lá”, disse o dirigente, com fases regionais de campeonatos na faixa entre 7 e 9 anos, para depois acompanhar diretamente aqueles considerados talentos. “A França tira oito de 8.000. Aqui, começamos com 180, com seletivas em 2013. Este anos, tiramos 16 talentos para um mês de treinos na Europa e um mês na China.”

O dirigente destaca que no Sul-Americano Infantil e Juvenil, em maio de 2013, em Rosário, na Argentina, o Brasil ficou com 13 das 14.

“Nossa meta, claro, é o Rio 2016. Queremos chegar como oitava equipe no ranking mundial para ter a vantagem de não enfrentar de cara os países mais tradicionais e fortes, o que aconteceria se chegássemos às vésperas dos Jogos Olímpicos numa posição de nono a 16º”, explicou o dirigente.



Ministério do Esporte
Fonte Ministério do Esporte 16/08/2014 ás 11h

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