Saúde peruana utilizará experiências brasileiras

Fonte Agência Saúde 26/04/2013 às 20h

Ministra da Saúde do Peru conheceu o programa Aqui Tem Farmácia Popular e iniciativas para qualificação profissional, tratamento de câncer e transplantes

O governo do Peru vai utilizar experiências brasileiras para aprimorar seu Sistema da Saúde. A ministra da Saúde Pública e Assistência Social daquele país, Midori De Habish, que é a atual presidente do Conselho Sul-americano de Saúde da União de Nações Sul-americanas (Unasul), realizou visita oficial ao Brasil na quarta e quinta-feira (24 e 25) e conheceu estratégias de acesso a medicamentos, de qualificação profissional e o programa nacional de transplantes. A ministra também se reuniu com o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha. Ambos assinaram um memorando de entendimento para a construção de projetos em saúde entre os dois países.

“Brasil e Peru têm desafios comuns na área da saúde. A cooperação entre os dois países poderá contribuir para o aprimoramento dos Sistemas de Saúde e para consolidar a saúde pública como um direito universal”, ressaltou Padilha. Midori de Habish demonstrou interesse especial no programa Aqui tem Farmácia Popular. A intenção do governo peruano é aproveitar a experiência brasileira para realizar um programa abrangente que possa facilitar o acesso de sua população a medicamentos.

A Universidade Aberta do SUS e o programa Telessaúde Brasil redes foram outras iniciativas que devem ser utilizadas como referências para ações no Peru. A ministra peruana também visitou o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e conversou com técnicos do órgão e do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), para obter mais informações sobre as políticas do Brasil nas áreas de transplantes e de combate ao câncer. “A nossa visita ao Brasil é uma excelente oportunidade para trocar experiências e nos inspirar para buscar melhorias no sistema de saúde pública no Peru”, afirmou a ministra.

MEMORANDO – Durante a visita, os ministros da Saúde dos dois países firmaram um memorando de entendimento para estreitar as relações entre os dois países no setor. O documento vai permitir a construção de um novo programa de cooperação para a implementação de projetos em conjunto.

O memorando lista os projetos prioritários que devem ser desenvolvidos: transferência de tecnologia do Brasil para o Peru para a produção de medicamentos e reagentes; política e gestão das estratégias de Farmácia Popular; formação de recursos humanos em saúde; reforma sanitária; organização e implementação de projetos de Telessaúde; programas de prevenção e controle de câncer; transplantes de tecidos e órgãos; e políticas e normas técnicas de implementação de hospitais digitais.

COOPERAÇÃO – No ano passado, foi concluída a implementação de um banco de leite humano no Peru como referência nacional. O desenvolvimento desse banco teve o apoio técnico brasileiro, que, com tecnologia própria, transferiu ao Peru uma das ferramentas do Sistema Único de Saúde (SUS) de redução das internações e da mortalidade infantil com foco na atenção neonatal.

O Brasil deve iniciar tratativas para transferência de tecnologias ao Peru para a produção de medicamentos para tuberculose e malária, por exemplo. Outras áreas nas quais o Brasil possui cooperação com o Peru são regulação em portos, aeroportos e fronteiras e combate ainfluenza.

PROGRAMAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

FARMÁCIA POPULAR – Está presente em 3,79 mil municípios brasileiros, inclusive em 1.292 que têm um percentual elevado de população extremamente pobre. Em 2011, com a implantação da ação Saúde Não Tem Preço, o programa passou a distribuir remédios de graça para hipertensão e diabetes. Em 2012, passou a oferecer também para asma.

São 14 medicamentos oferecidos gratuitamente à população e outros 11 comercializados com até 90% de desconto em 25,9 mil farmácias em todo o país. Desde 2011, já foram beneficiadas pelo Farmácia Popular 18,5 milhões de pessoas, das quais 15 milhões receberam medicamentos gratuitamente.

TELESSAÚDE BRASIL – Interliga núcleos de especialistas e unidades de saúde da Atenção Básica, que trocam informações com o objetivo de melhorar o atendimento no SUS e qualificar o diagnóstico e o tratamento. O programa está em funcionamento em 14 estados e já realizou, desde 2005, cerca de 50 mil teleconsultorias, 666 mil telediagnósticos (análise de exames de apoio a distância) e 640 “segundas opiniões formativas”.

A rede é composta por 13 núcleos localizados em instituições formadoras de referência e órgãos de gestão. Conta com aproximadamente 2 mil pontos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de 1.152 municípios, com 21.260 profissionais das equipes de Saúde da Família com acesso à rede.

Em 2012, o Telessaúde Brasil Redes recebeu reforço de R$ 70 milhões para implantação de novos pontos e 64 núcleos e estará presente, até o final de 2013, em 3.266 municípios de todas as unidades federativas.

UNASUS - Por meio da Universidade Aberta do SUS (UnaSUS), o Ministério da Saúde promove cursos e ações educacionais para atender às necessidades de capacitação e educação permanente dos trabalhadores do SUS, por meio da educação a distância. Atualmente 12 universidades oferecem o curso de especialização “Saúde da Família”, que tem a duração de, em média, 18 meses. A maior parte deles reside no interior do país e todos estão em exercício nas próprias equipes do Saúde da família.

O diferencial e principal incentivo é que o profissional possa realizar o curso no próprio local de trabalho. Outros cursos ministrados pela universidade são voltados ao controle da dengue, tuberculose, uso racional de medicamentos e atuação em Atenção Domiciliar

SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTES –O Brasil é referência mundial no campo dos transplantes. Atualmente, 95% dos transplantes no país são realizados no SUS. O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é gerenciado pelo Ministério da Saúde, pelos estados e municípios. Em 2012, foram realizados 24 mil transplantes no país.

ONCOLOGIA – Para melhorar o atendimento e ampliar o acesso aos serviços oncológicos disponibilizados no SUS, o Ministério da Saúde tem investindo cada vez mais no setor. Nos últimos três anos, os gastos federais com assistência oncológica no país aumentaram 26%, passando de R$ 1,9 bilhão (em 2010) para R$ 2,4 bilhões (em 2012). Os valores aplicados na atenção oncológica englobam cirurgias, radioterapia e quimioterapia.

Em 2011, o governo lançou o Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo do Útero e de Mama, estratégia para expandir a assistência oncológica em todo o país. Até 2014, o Ministério da Saúde vai investir R$ 4,5 bilhões no plano.

 

Agência Saúde
Fonte Agência Saúde 26/04/2013 ás 20h

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