Sacerdote hondurenho acredita que Zelaya irá morrer

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O sacerdote hondurenho Fausto Milla, referência para os movimentos sociais e organizações populares, disse acreditar que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, vai morrer devido à tensão política do país.

"A prepotência do governo golpista é muito grande, e por isto a gente pensa que vão entrar na Embaixada do Brasil. Eu acho que Manuel Zelaya vai morrer e que vão dizer que ele resistiu [às investidas militares, ndr.]", afirmou o religioso em entrevista ao jornal Página 12.

Zelaya, deposto no último dia 28 de junho, retornou ao seu país no passado dia 21. Desde então, ele está instalado na sede diplomática brasileira na capital hondurenha, que está cercada por militares e forças policiais.

Milla, de 82 anos, mantém uma postura totalmente contrária à adotada pela cúpula católica de Honduras, liderada por Oscar Andrés Rodríguez. O sacerdote defende que desde o início o organismo apoiou o golpe de Estado que tirou Zelaya do poder e colocou em seu lugar o presidente Roberto Micheletti.

"Eu creio que Mel [apelido de Zelaya, ndr.] vai morrer dizendo que não quer um só morto em Honduras, que tudo deve ser pacífico, que a razão tem que triunfar", destacou Milla, ao comentar que já encontrou pelas ruas muitas pessoas feridas e que as ameaças são cada vez mais fortes.

"Nos cuidamos, tentamos não sair sozinhos na rua. Tomamos nossas medidas de segurança", pontuou.

Ontem o governo de facto hondurenho fechou alguns veículos de comunicação opositores, como a Rádio Globo e o Canal 36, cumprindo um decreto que restringe as garantias constitucionais por 45 dias.

"Estamos inteiramente desinformados, porque os únicos meios que chegavam ao povo foram fechados e destruídos. Os militares estouraram as portas e levaram os equipamentos. De acordo com o que eu acabei de ficar sabendo, os jornalistas estão livres, conseguiram escapar a tempo", esclareceu Milla.

Para ele, "o pior, o triste, é que faz tempo que se vem pedindo auxílio ao mundo e não acontece nada. Só falam e falam. Temos organismos de milhões e milhões de dólares como a ONU [Organização das Nações Unidas] e a OEA [Organização dos Estados Americanos], e nada. A gente aqui tem que sofrer e morrer calado".

O religioso chegou até a pediu um bloqueio comercial norte-americano, pois, segundo ele, "só com isto o problema acaba".

"Se fizeram [o bloqueio, ndr.] durante 50 anos contra Cuba, o que custa fazer cinco ou dez dias contra Micheletti? Com isto o problema acaba, mas não se atrevem porque o dinheiro vale mais que a vida humana", disse, ainda segundo a publicação argentina.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

Compartilhe

Sacerdote hondurenho acredita que Zelaya irá morrer