Ressonância magnética ganha espaço no diagnóstico de câncer de próstata

Fonte Saúde em Pauta 25/02/2013 às 20h

Detecção precoce da doença pode reduzir mortalidade

O câncer de próstata é omais comum entre os homens em todo o mundo e a segunda causa de morte relacionada a cânceres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), foram mais de 60 mil novos casos em 2012, e para Leonardo Kayat Bittencourt, radiologista da Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI) e Multi-imagem, somente a detecção precoce e a correta seleção de tratamento são capazes de reduzir o número de mortes. Ele defende a utilização da ressonância magnética como importante método diagnóstico auxiliar na definição dessas questões.

Segundo Leonardo, mestre em ressonância magnética da próstata pela UFRJ e doutorando pela Universidade Radboud, na Holanda, a técnica vem auxiliando na identificação e caracterização da doença.“O exame vem evoluindo como uma modalidade poderosa na localização e no estadiamento desse tipo de câncer, exibindo um desempenho superior ao exame de toque retal ou à ultrassonografia”, argumenta.

Para o médico, os exames de toque retal e PSA ainda são fundamentais no rastreamento do câncer de próstata, e todo homem acima de 40 anos deve consultar-se com um urologista pelo menos uma vez ao ano, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Urologia. Entretanto, esses exames, a ultrassonografia e até mesmo as biopsias apresentam limitações no diagnóstico, o que provocou interesse pelo desenvolvimento de outras técnicas.

Nesse contexto, a ressonância de próstata apresenta-se muito promissora, por causa da alta resolução das imagens e da possibilidade de estudar o comportamento biológico dos tecidos de forma não invasiva. “De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Sociedade Americana de Câncer, a ultrassonografia isoladamente não é recomendada para o diagnóstico por imagem do câncer de próstata, pois não há evidências suficientes que comprovem sua especificidade ou capacidade de aumentar a taxa de detecção. Dessa forma, a ressonância vem ganhando cada vez mais importância no manejo do câncer de próstata”, afirma Leonardo.

O radiologista aponta que é possível visualizar lesões de diferentes formas por meio da ressonância magnética. “Já temos evidências científicas fortes de que algumas técnicas como difusão, permeabilidade e espectroscopia modificam significativamente a classificação de risco dos pacientes e a decisão pelo tratamento adequado, o que aumenta a confiança do diagnóstico”, conclui.

O exame dura em média 30 minutos, e Leonardo aconselha a realização em aparelhos de última geração que oferecem melhores resultados. O especialista faz ainda um alerta para pacientes que tenham passado por biopsia recente e serão submetidos à ressonância magnética: “O ideal é esperar para fazer a biopsia pelo menos um mês antes da realização do exame. Assim, diminui a influência das áreas de sangramento na interpretação das imagens”, pondera ele.

Mas independentemente da maneira de diagnosticar a doença, o especialista defende a prevenção e o rastreio clínico como as melhores opções, sobretudo em homens com mais de 50 anos. “Para manter-se saudável, é preciso ter uma alimentação balanceada e praticar exercícios físicos regularmente, em especial os homens que estão no grupo de risco, ou seja, com idade acima de 50 anos, histórico familiar da doença, com excesso de peso ou sedentários. E, logicamente, a consulta frequente com um urologista é fundamental para um acompanhamento adequado”, conclui o médico, afirmando que a utilização do novo método diagnóstico tem contribuído para adequar as formas de tratamento e aumentar as chances de cura dos pacientes.

 


Saúde em Pauta
Fonte Saúde em Pauta 25/02/2013 ás 20h

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Ressonância magnética ganha espaço no diagnóstico de câncer de próstata