Reservatório pode ser sumidouro de gases de efeito estufa, diz estudo

Fonte Assessoria de Comunicação Social do MME 24/08/2014 às 19h

Reservatório pode ser sumidouro de gases de efeito estufa, diz estudo

Em alguns casos, ao invés de emitir, reservatórios de usinas hidrelétricas (UHEs) podem atuar como sumidouros de gases de efeito estufa, aponta estudo sobre o assunto coordenado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL). Entre as 11 usinas observadas para a pesquisa, Funil (Minas Gerais) e Xingó (situada entre Alagoas e Sergipe) registram taxas negativas de emissão de gases.

O cálculo das emissões líquidas de gases – que considera o período que antecedeu o alagamento da área e o compara com os resultados de medições atuais – é inovador e permite verificar casos em que a absorção dos gases pelo reservatório é maior do que a emissão pela usina. Esse é o caso da Usina Hidrelétrica Xingó, na Bacia do Rio São Francisco. O reservatório da UHE absorve 0,5 gramas de dióxido de carbono equivalente a cada quilowatt-hora de energia produzido na usina. O mesmo ocorre em Funil, com menor nível de CO² atualmente do que antes da construção do reservatório. A taxa de emissão de dióxido de carbono equivalente no local, descontando o que o ecossistema já emitia antes do alagamento, fica negativa em 1,35 gCO²e/kWh.

O diretor-geral do CEPEL, Albert Melo, avalia que os dados ajudam a desmistificar o assunto. “É importante também para acabar com mitos como os de que hidrelétricas em áreas tropicais são fontes relevantes de emissão de gases do efeito estufa”, afirmou. “Nos estudos realizados, constatou-se que as emissões de Tucuruí, por exemplo, são menores que das emissões da usina hidrelétrica canadense Eastmain 1, ambas baixas, principalmente se comparadas a uma usina termelétrica equivalente”, disse. De acordo com a pesquisa, a emissão líquida média registrada na usina de Tucuruí (Pará) é de 34,0 gCO²e/kWh, ao passo que a usina Eastmain 1, no Canadá, emite 53,1 gCO²e/kWh.

Para a pesquisa, que envolveu 108 pesquisadores de cerca de 15 instituições, foram feitas 44 campanhas de campo entre 2011 e 2012, em 11 aproveitamentos hidroelétricos no Brasil, oito em operação (UHEs Balbina, Itaipu, Tucuruí, Serra da Mesa, Xingó, Três Marias, Funil e Segredo) e três em construção (UHEs Santo Antônio, Belo Monte e Batalha). O relatório final da pesquisa deu origem ao livro “Emissões de Gases de Efeito Estufa em Reservatórios de Centrais Hidrelétricas”.





Assessoria de Comunicação Social do MME
Fonte Assessoria de Comunicação Social do MME 24/08/2014 ás 19h

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