Repressões contra manifestações a favor de Zelaya deixam vários feridos

Fonte ANSA FLASH 19/11/2009 às 0h
Dezenas de pessoas ficaram feridas ontem em Honduras durante as repressões policiais contra as manifestações, realizadas de forma pacífica, que exigiam o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya.

No mesmo dia, o governo dos Estados Unidos reiterou que reconhece apenas a autoridade do presidente eleito democraticamente pelo povo hondurenho. Zelaya foi retirado do poder e expulso do país no dia 28 de junho, quando seria realizado um referendo sobre uma reforma da Constituição.

Os principais dirigentes da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado estão feridos ou foram detidos, entre eles Carlos Reyes, Rafael Alegría e Juan Barahona, que coordenavam a manifestação e o bloqueio da estrada de El Durazno, na saída de Tegucigalpa, ao norte do país.

Segundo denúncias, policiais e militares lançaram gases lacrimogêneos, disparos e agrediram fisicamente os manifestantes. Muitos debandaram, mas foram perseguidos e detidos. Jornalistas também foram alvos da repressão.

Carlos Reyes, que é candidato independente às presidenciais de novembro e dirigente do Bloco Popular, foi ferido na cabeça e sofreu uma fratura em um dos braços. Um professor do Ensino Médio, Roger Valleio Soriano, também foi ferido na cabeça e encontra-se em estado grave no Hospital Escola de Tegucigalpa, onde foram atendidos outros quatro manifestantes, entre eles três menores.

Em Comayagua, centro do país, outra manifestação foi repreendida. Pelo menos três pessoas ficaram feridas e 156 foram presas, disse Erasto Reyes, membro da Frente Nacional de Resistência.

Também ontem, Zelaya se reuniu em Manágua, capital da Nicarágua, com o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens. No encontro, de mais de duas horas, falou-se sobre "como restaurar a ordem constitucional e democrática de Honduras, de forma pacífica".

Llorens reiterou que seu governo reconhece apenas o "presidente constitucional" de Honduras, Manuel Zelaya. "Devo recordar hoje que meu governo reconhece o governo do presidente Zelaya como o de Honduras", insistiu Llorens ao retirar-se do local do encontro, a sede da Embaixada de Honduras em Manágua.

Por sua vez, Zelaya agradeceu aos esforços dos Estados Unidos e pediu que o golpe de Estado seja evitado, que "consigamos revertê-lo o mais breve possível".

Após a reunião, o mandatário denunciou que "os golpistas estão violando todo tipo de direitos humanos, entre eles os de minha família se encontrar comigo".

"Estou satisfeito com as respostas do embaixador Hugo Llorens e dos demais enviados do governo (do presidente dos EUA) Barack Obama, e espero que nos ajudem a restaurar a Constituição e a democracia de Honduras", concluiu.

Ele também fez um agradecimento ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pelo apoio e por ter "estendido uma mão solidária" neste momento. Há uma semana, Zelaya está acampando no lado nicaraguense da fronteira com Honduras à espera de seus partidários.

Condenado fortemente pelos estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) e por diversos outros países, o governo de facto, presidido por Roberto Micheletti, se opõe ao retorno de Zelaya nas condições impostas pelo mandatário da Costa Rica e mediador da crise local, Oscar Arias. As autoridades acusam Zelaya de uma série de crimes, entre os quais o de "traição à pátria".
ANSA FLASH
Fonte ANSA FLASH 19/11/2009 ás 0h

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