Quem dominará o mercado do carro elétrico?

Fonte Evaldo Costa 31/03/2013 às 9h

Países de diferentes continentes estão investindo na mobilidade sustentável. A Europa e algumas regiões dos Estados Unidos, por exemplo, estão promovendo agressivamente o uso de veículos elétricos para reduzir as emissões que aquecem o planeta e a poluição provocada pelos motores a combustão interna.

Entre todos os países da Europa, a Holanda é um dos que reúne as melhores condições para o desenvolvimento da mobilidade elétrica. Pois, trata-se de um país pequeno - cerca de 100 quilômetros de leste a oeste -com preços da gasolina em cerca de 8,50 dólares por galão, e uma longa tradição de ativismo ambiental.

A Holanda, está investindo fortemente em estações de carga nas cidades e rodovias. Amsterdam, por exemplo, oferece aos proprietários de veículos elétricos estacionamento, equipado com tomadas de carregamento, gratuito. Segundo alguns especialistas, levando em conta os incentivos fiscais arrojados, custos operacionais e de manutenção, os veículos elétricos na Holanda têm valor compatível com os seus pares equipados com motor de combustão interna.

As vendas de carros elétricos plug-in na Holanda em 2012, foram de 7.500 unidades, cerca de oito vezes maior do que o ano anterior. E não é somente na Holanda que o apoio ao carro elétrico está crescendo. Peder Jensen, especialista em transporte da Agência Europeia do Ambiente, lembra que "Começamos a ver em alguns países, uma série de VEs nas estradas, especialmente nas capitais, onde eles são mais visíveis".

As vendas têm sido menores do que os políticos e montadoras esperavam, representando menos de 1 por cento das vendas globais de veículos novos. No ano passado, 120.000 veículos elétricos plug-in foram vendidos no mundo, de acordo com um relatório recente da Pike Research, um grupo de analistas do setor prevê crescimento de 40 por cento ao ano, até 2020.

De acordo com a consultoria automotiva JD Power, os Estados Unidos, com 12 mil estações de carregamento, foi responsável por quase a metade das vendas globais de VEs em 2012 (52.000 unidades). Um problema identificado do lado Norte-Americano é que as estações estão dispersas em uma grande área. Já na Holanda, um dado curioso foi o fato dos analistas terem previsto que o carro elétrico seria o segundo carro da família, mas os dados atuais revelam que ele é de fato o carro principal.

Há alguns obstáculos a serem superados. Por exemplo, o carregamento em casa usa baixa voltagem, levando de quatro a oito horas para uma carga completa. A solução seriam as estações de carregamento rápido que utiliza alta tensão, com 80 por cento da carga pode ser conseguido entre 20 a 30 minutos. Porém, por serem caros, tais equipamentos não são adotados pelos proprietários que precisam recorrem aos postos públicos, ainda em número insuficiente.

A cada dia chegam novas soluções ao mercado. Na Europa, uma rede de carregamento chamada New Motion fornece eletricidade a partir de dispositivos pumplike. Já uma rival da empresa Better Place, oferece estações tipo swap onde os motoristas recebem uma bateria nova, além de pontos de carregamento.

Nos Estados Unidos, a SAE International, uma organização de cientistas e engenheiros de veículos, aprovou recentemente um plugue padrão de carga em todo o país para que os veículos elétricos possam usar qualquer estação de carregamento. Mas algumas empresas, como a Tesla Motors, operam redes fechadas de alta performance. Este é um tipo de problema que precisa ser superado, pois a falta de padronização deixa o cliente inseguro, acreditam alguns especialistas.

Tanto a Europa quanto os Estados Unidos sabem que não basta incentivar a compra do carro elétrico com descontos, é preciso investir e desenvolver ampla rede de abastecimento especialmente a de carregamento rápido. Para isso terá que haver esforço conjunto entre as montadoras, empresas fornecedoras de energia e os governos.

Aparentemente, as empresas que vão ganhar a corrida do carro elétrico não são necessariamente as que têm a melhor tecnologia, mas as que formarem as melhores alianças. Quando você tem, por exemplo, um telefone celular, você deseja usá-lo onde estiver.

No início quando os telefones celulares não funcionavam em outros países ou regiões haviam descontentamentos. O sucesso deles se deu quando houve unificação dos serviços e eles passaram a funcionar em todas as partes. Com o carro elétrico não deve ser diferente.

Pense nisso e ótima semana,

Evaldo Costa

Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil

Blog: verdesobrerodas.com.br

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Evaldo Costa
Fonte Evaldo Costa 31/03/2013 ás 9h

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