Projeto prevê monitoramento da Bodoquena

Fonte Comunicação ICMBio 11/03/2013 às 10h

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Brasília – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Fundação Neotrópica do Brasil, finalizou no mês de fevereiro as atividades que visaram a criação de linhas de base para a implantação de um sistema de monitoramento da biodiversidade no Parque Nacional (Parna) da Serra da Bodoquena, unidade de conservação (UC) federal localizada no Mato Grosso do Sul.

A iniciativa é inédita na unidade de conservação e conta também com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, do Programa Biota – MS e da colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, sendo que a proposta de metodologia do projeto foi apresentada pela equipe da Coordenação de Monitoramento da Conservação da Biodiversidade do ICMBio.

Dentre as atividades realizadas houve a avaliação da estrutura local existente e da localização das três trilhas a serem implantadas para o Programa; o levantamento de dados secundários e in situ sobre a biodiversidade existente no Parque; a elaboração de listas atualizadas de espécies para os grupos de aves, mamíferos de médio e grande porte, anfíbios, répteis, borboletas frugívoras (Nymphalidae), peixes e fauna cavernícola.

De acordo com a equipe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, a operacionalização do monitoramento in situ da biodiversidade é de grande importância para a unidade de conservação. Com essa metodologia será possível avaliar a situação do patrimônio natural que a unidade propõe conservar e utilizar os resultados para orientar as decisões de gestão no sentido da conservação da biodiversidade. Além disso, como resultado indireto, mas estratégico, o monitoramento deve estreitar as relações entre a gestão do Parque e a academia, chamando a atenção da comunidade científica para o potencial de geração de conhecimento, dando mais um sentido à existência do Parque Nacional da Serra da Bodoquena e mais um passo na sua consolidação.

DSC 3454Além de serem importantes para o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, as ações a serem desenvolvidas para implementação do monitoramento in situ na unidade de conservação poderão servir como base para o planejamento de ações em outras unidades de conservação federais. Neste ano o ICMBio junto com o apoio técnico da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH pretende estender o monitoramento da biodiversidade in situ para outras unidades de conservação federais nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. O objetivo deste sistema de monitoramento in situ da biodiversidade é de dar respostas tanto para a
efetividade de conservação da UC como também do SNUC como todo.

Neste contexto o Parque Nacional da Serra da Bodoquena é o primeiro piloto deste sistema. Informações sobre abertura de trilhas, adaptações no modelo proposto, protocolos por grupo, material impresso, gestão de informações e outros dados que forem gerados na implementação do modelo na Serra da Bodoquena poderão ser mais facilmente replicados em outras unidades de conservação por terem sido testados na prática.

Os resultados alcançados até o momento (seis incursões à campo) indicam que o Parque Nacional preserva um ambiente bem estruturado, que abriga uma rica biodiversidade, incluindo espécies do topo da cadeia alimentar as quais, de forma geral, são excelentes bioindicadoras da qualidade ambiental. Além disso, os resultados apontam que essa biodiversidade não é totalmente conhecida e carece de maiores estudos, com enorme potencial para novas descobertas.

Novas espécies

Atualmente são registradas na área da unidade de conservação 384 espécies de aves, 35 espécies de mamíferos, 35 espécies de anfíbios, 25 espécies de répteis, 52 espécies de borboletas frugívoras e 54 espécies de peixes. No entanto, em apenas quatro dias de coletas de campo, os pesquisadores registraram mais uma espécie de anfíbio, duas de répteis, quatro de borboletas e duas de peixes. Além disso, foram coletados espécimes pertencentes as espécies de peixes que são novas para a ciência, sendo uma de lambari e outra de cascudo.

As espécies de cascudos estão em processo de descrição por especialistas da Universidade Estadual de Maringá. Ambas são endêmicas DSC 3418da Serra da Bodoquena e a primeira espécie havia sido registrada apenas no rio Perdido e a outra no complexo do rio Salobra/Córrego Salobrinha. As atividades de levantamento permitiram estender a distribuição também para o Córrego Taquaral, afluente do rio Formoso.

Duas espécies troglóbias (aquelas que apresentam modificações típicas do hábito cavernícola como, por exemplo, despigmentação, redução ou perda dos globos oculares) foram adicionadas a listagem dos pesquisadores. São elas: o cascudo Ancistrus formoso e o bagre Trichomycterus dali, ambas com características de espécies troglóbias e endêmicas de cavernas da Serra da Bodoquena.

No curto período de trabalho de campo ainda foram registradas quatro espécies de mamíferos que são considerados sob algum nível de ameaça segundo a lista da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN): onça-pintada, anta, tamanduá-bandeira e queixada.

Parque

O Parque Nacional da Serra da Bodoquena é uma unidade de conservação federal sob gestão do ICMBio. Foi criado em setembro de 2000 e até o momento é a única unidade de conservação de proteção integral federal totalmente inserida no território do Estado de Mato Grosso do Sul. Sua criação visou proteger a maior área contínua de mata atlântica no interior do Brasil. Os limites do Parque abrangem 76.481 hectares, divididos em dois fragmentos, sendo um ao norte (27.793 ha) e outro ao sul (48.688 ha). Sua área de influência abrange os municípios de Bonito, Bodoquena, Porto Murtinho e Jardim.

A Serra da Bodoquena, que dá nome ao Parque é, na realidade, um planalto inclinado, com a porção mais baixa a oeste, em direção à planície do Pantanal. A leste é suavemente inclinada em direção à planície de inundação do rio Miranda que, por sua vez, integra a bacia do rio Paraguai. Apresenta-se alongado no sentido norte-sul, com cerca de 300 km de comprimento e largura variando de 20 a 50 km. O Parque Nacional localiza-se na porção central desse planalto e é caracterizado por um maciço rochoso elevado, com altitudes que variam de 450 a 650 m.

Comunicação ICMBio
Fonte Comunicação ICMBio 11/03/2013 ás 10h

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