Projeto internacional de astronomia terá participação de cientistas brasileiros

Fonte Agência Gestão CT&I* 20/12/2015 às h

Um acordo firmado entre o Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a An Academic Network at São Paulo (ANSP) vai permitir a participação de pesquisadores brasileiros no projeto Large Synoptic Survey Telescope (LSST).

O Memorando de Entendimento assinado em setembro de 2015 pelas instituições prevê investimentos em conexões de fibra óptica, ampliando a ligação entre a América do Sul e a América do Norte. Além disso, um grupo de 50 pesquisadores brasileiros participará do projeto, considerado revolucionário para a astronomia.

 

O LSST é um telescópio que ficará na cidade de Vicuña, no Chile, com previsão para entrar em operação em 2022. Somando R$ 1 bilhão em investimentos, o LSST terá capacidade para fazer o mapeamento de quase metade do céu em cinco filtros por um período de dez anos. O telescópio, com 8,4 metros de diâmetro, cobre um campo de quase dez graus quadrados, podendo mapear toda a região do céu ao qual tem acesso em apenas algumas noites. Sua câmera consiste em um mosaico de CCDs com 3,2 bilhões de pixels, e cada exposição cobre uma área correspondente a 40 vezes o tamanho da Lua cheia.

 

A cada noite serão acumulados 15 terabytes (TB) de dados, os quais devem ser transmitidos para diferentes centros para redução e análise, inclusive no Brasil. O sistema fornecerá aos astrônomos uma visão dinâmica do Universo, onde variações de posição ou fluxo de objetos celestes serão registrados em intervalos de poucas noites.

 

A estimativa é que o LSST gere 10 milhões de alertas destas variações a cada noite. Estas variações serão classificadas e os casos mais interessantes serão observados em outros telescópios para análise mais detalhada. Ao término de dez anos, o levantamento terá informações sobre 37 bilhões de estrelas e galáxias, explorando um volume de espaço sem precedentes e gerando 100 petabytes (PB) de produtos.

 

Com os dados do LSST, os cientistas vão explorar o sistema solar, estudar a estrutura de nossa galáxia e a formação e evolução de estruturas do Universo, além de determinar as propriedades da matéria e energia escura que permeiam o Universo, sendo esta última responsável pela expansão acelerada do mesmo.

 

Desafios

Este projeto apresenta grandes desafios na área de tecnologia da informação (TI) para gerenciar a transferência, processamento, armazenamento, análise e exploração científica da quantidade de dados que será gerada de forma ininterrupta. Esta é uma questão de big data que começa a ser enfrentada de forma sistemática pelo projeto procurando novas soluções para as áreas de comunicação em rede, processamento de alto desempenho e desenho de banco de dados, nas quais a equipe brasileira de pesquisadores também participará.

 

A infraestrutura de conectividade via fibra óptica disponibilizada pela RNP e ANSP permitirá a transferência de dados entre Chile e EUA através do Brasil alcançando taxas de 100 gigabytes por segundo (Gbps). A ANSP será responsável pela operação da conexão entre Santos (SP) e Boca Raton (Flórida, EUA). A RNP proverá a conexão entre Santiago (Chile) e São Paulo (SP).

 

Esta contribuição da ANSP e RNP foi reconhecida pelo Conselho de Administração do LSST como contrapartida para a participação de dez pesquisadores seniores e mais quatro juniores associados a cada um deles, totalizando 50 pesquisadores com acesso irrestrito aos dados do levantamento. Pelos termos do acordo o LIneA e o LNA são responsáveis por organizar o processo de seleção deste contingente de pesquisadores brasileiros, denominado LSST Brazilian Participation Group (BPG -LSST).

 

*Com informações do MCTI

Agência Gestão CT&I*
Fonte Agência Gestão CT&I* 20/12/2015 ás h

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