Projeto de gestão ambiental no Morro do Cantagalo será exibido na programação paralela da Rio+20

Fonte Agência Brasil 29/05/2012 às 17h
Comunidade pacificada desde dezembro de 2009, o Morro do Cantagalo, em Copacabana, abriga desde abril o embrião de um projeto de gestão ambiental que fará parte da programação paralela da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

O projeto Geopolítica da Natureza, resultado de uma parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Associação de Moradores do Cantagalo, prevê ações que serão implantadas em quatro fases, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância ambiental de seu entorno e como usar os recursos naturais em seu proveito, com o mínimo de prejuízo ao meio ambiente.

Idealizado pelo professor Luís Henrique Camargo, do Departamento de Geografia da Uerj, o projeto teve uma experiência piloto em 2007, no município de Guapimirim, na região metropolitana do Rio de Janeiro. No Cantagalo, o projeto ainda está na primeira de suas quatro fases. “Estamos aplicando, aos moradores, um questionário elaborado com base na chamada ´geografia da percepção´. A finalidade é conhecer como a comunidade percebe o seu ambiente local e também suas potencialidades. Com isso, pretendemos democratizar o processo que será usado na quarta fase, que é a da geração da rede ecológica”, explica Camargo, que coordena o projeto no Morro do Cantagalo.

Segundo ele, o engajamento da comunidade é fundamental para o projeto. “Ao aplicarmos o questionário, a gente quer saber, em primeiro lugar, se a comunidade quer ou não ter empregos ecológicos e como ela entende questões como reciclagem, utilização de banheiro seco, de filtros ecológicos”. A segunda fase é a da documentação fotográfica dos problemas ambientais, para que, na terceira etapa, um curso de gestão ambiental forme agentes comunitários.

“As aulas serão de educação ambiental, geografia e de permacultura, que é a cultura permanente, um modo de reinventar a relação sociedade e natureza no âmbito da própria comunidade”, conta o coordenador. O uso de tecnologias ecologicamente corretas, como a bioconstrução e a agricultura orgânica, faz parte da permacultura. A quarta fase, que depende mecanismos como parcerias para a sua implantação, consiste na criação de uma rede de negócios ecológicos em toda a comunidade. “Essa rede é fundamental para que cada comunidade produza e faça circular o seu produto”.

O projeto também tem como objetivo a manutenção do equilíbrio ambiental do planeta. Autor do livro recém-lançado A Geoestratégia da Natureza: A Geografia da Complexidade no Combate às Possíveis Mudanças Geológico-Ecológicas, Camargo defende a inexistência de mudanças climáticas no planeta. Para ele, há um rompimento do equilíbrio e dos padrões ambientais. A tese, baseada na física quântica, já era defendida em sua obra anterior, A Ruptura do Meio Ambiente, publicada em 2005.

Para o professor, “quando nós falamos em mudanças climáticas estamos nos referindo apenas a um fragmento da totalidade. O pensamento quântico não vê jamais as questões de forma fragmentada. Ele percebe a totalidade em sua interconectividade geral”. Ele considera que se o clima está sendo alterado no mundo é porque é fruto de todas as variáveis ambientais – solo, vegetação etc. São variáveis, segundo Camargo, que estão evoluindo em um determinado local. “Em contraponto à física clássica, newtoniana, o pensamento quântico traz a ideia de que todos os elementos da natureza estão intrinsecamente conectados, portanto não adianta você tratar só do clima”, explica.

Na visão do professor da Uerj, reduzir a emissão de gás carbônico (CO²) na atmosfera não significa conseguir diminuir o aquecimento global na mesma proporção. “É um erro crasso achar que, reduzindo a emissão de CO² na atmosfera, se conseguirá, linearmente, diminuir o aquecimento. Os processos evoluem por um aumento de complexidade. Se eu jogo CO² na atmosfera, isso provoca reações também no solo, na vegetação, porque todos esses elementos vão procurar sua reação de equilíbrio”.

A escolha do Morro do Cantagalo para implantar o projeto Geopolítica da Natureza, após a experiência-piloto em Guapimirim, não se deve apenas à visibilidade dessa comunidade, situada na zona sul carioca e no roteiro da programação paralela à Rio+20. “A escolha foi estratégica, em função de variáveis que possibilitam o nosso trabalho, como a existência de uma UPP [Unidade de Polícia Pacificadora]”, diz Camargo.

Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 29/05/2012 ás 17h

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