Professor da USP condena críticas, rasteiras, à economia verde

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 23/05/2012 às 23h

Entre os dias 13 e 22 de junho, a cidade do Rio de Janeiro receberá mais de 100 delegações internacionais, a maioria liderada pelos próprios chefes de Estado. Na pauta, o debate sobre a economia verde no atual contexto de desenvolvimento sustentável e preservação dos recursos naturais. Para discutir as perspectivas para a Conferência Rio+20, o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB organizou palestra com o professor José Eli da Veiga, na tarde desta quarta-feira, 23 de maio, no Memorial Darcy Ribeiro.

Veiga é docente dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais e do Instituto de Pesquisas Ecológicas, da Universidade de São Paulo (USP). Autor de 20 livros, quase todos tratando de sustentabilidade e questões ambientais, o professor comentou a rejeição que parte dos Estados nacionais e especialistas têm ao tema economia verde. Ele chegou a classificar como “rasteiro” o conteúdo político das críticas à Conferência. “Os riscos são menores que as vantagens. Juntar mais de 100 países para dizer o mundo precisa discutir o componente econômico do desenvolvimento sustentável é relevante”, afirmou.

“Há riscos de não dar em nada, mas é a forma que a sociedade global encontrou para debater a agenda ambiental”, observou Maurício Amazonas, professor do CDS que mediou a palestra. Apesar disso, Eli da Veiga ponderou a necessidade de avançar além da economia verde e de corrigir aspectos desse conceito para incorporar os diferentes desafios mundiais. “Grande parte dos Estados pobres ou emergentes consideram que esse modelo serve como pretexto para que países mais desenvolvidos impeçam exportações de produtos que não se enquadrem no padrões definidos. Não adianta uma única fórmula de economia verde diante das diferenças das nações”, concluiu.

ONU – Veiga também é favorável ao fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), considerado a organização ambiental multilateral. “O meio ambiente também depende de uma articulação entre comunidade científica, governos e sociedade. Acredito que deveria virar agência, nos moldes da Organizações Mundiais da Saúde e do Trabalho, que há muito tempo são agências”, defendeu.

A discussão sobre a superação do Produto Interno Bruto (PIB) foi outro dos pontos abordados na palestra. Para Veiga, o consumo é melhor indicador de desenvolvimento do que a produção. Ele crê na proposta de calcular índices de bem-estar, como acesso a bens e poder de compra, no lugar de produção. “O processo da Rio + 20 pode desencadear um oportuno debate sobre modo de mensuração do desempenho econômico”.

Em outro ponto, Eli da Veiga mencionou o tema da preservação dos oceanos. “Eles contribuem mais que as florestas para o controle térmico do planeta, mas o assunto ficou fora dos principais foros de discussão”, afirmou, em referência à ECO-92, no Rio de Janeiro, em 1992, e a Rio + 10, realizada em Joanesburgo, há uma década.

Para o professor, o estabelecimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – que preveem compromissos econômicos, sociais e ambientais – também são elementos promissores para a Conferência.

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 23/05/2012 ás 23h

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