Presidente uruguaio diz que seu país "destruiu" argumentos da Argentina em Haia

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, declarou que seu país "destruiu" os argumentos apresentados pela Argentina na Corte Internacional de Haia, onde os dois países se enfrentam por divergências em decorrência da instalação de uma fábrica de celulose no lado uruguaio da fronteira.

O Uruguai "aceitará" a sentença e "esperamos que do lado argentino também se cumpra o que for estabelecido pelo tribunal. E que, com este veredicto, coloquemos um ponto final neste tema", disse Vázquez ao jornal El País.

Entrevistado pela publicação ao término de sua viagem aos Estados Unidos, onde ontem participou da 64ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Vázquez falou sobre o conflito com a Argentina, o pior registrado entre os dois países nas últimas décadas.

Na última semana, o tribunal de Haia começou a ouvir os argumentos de cada país. A Argentina foi a primeira a se pronunciar. Segundo a representação do governo de Cristina Kirchner, o Uruguai violou o tratado de 1975, que determina que ambos países devem se consultar e tomar decisões comuns em questões relacionadas com as águas do Rio Uruguai.

Hoje, ao apresentar sua defesa, o Uruguai pediu à Corte que permita a continuidade das atividades da Botnia, "de acordo com o estatuto de 1975". Ao mesmo tempo advogou por uma "solução pacífica" ao conflito e acusou a Argentina de não ter apresentado nenhum relatório independente sobre os impactos ambientais causados pela fábrica.

A decisão do tribunal é esperada para o início de 2010. O processo em Haia foi apresentado pela Argentina em 2006, após a instalação da fábrica da empresa finlandesa Botnia na localidade uruguaia de Fray Bentos, divisa com a argentina Gualeguaychú.

A representação uruguaia na Holanda está "muito satisfeita", pois do ponto de vista científico "destruiu qualquer argumento apresentado no sentido de que a Botnia contamina, o que não é real, assim como os argumentos jurídicos", disse Vázquez.

"Estou certo de que a Botnia não contamina e que isso será reconhecido", continuou o presidente, que enfatizou os laços históricos de amizade com a Argentina, onde estão radicados cerca de 300 mil uruguaios.

Para Vázquez, "este triste desencontro que tivemos, que lamentavelmente ocorreu no exercício de meu governo, deve ser levado como uma experiência negativa que não pode se repetir entre nossos países".

Na próxima semana, os dois países contarão com dois dias cada para fazer suas apresentações finais.

Localizada em Fray Bentos, a fábrica de pasta de celulose começou a operar em novembro de 2007 e desde então produziu mais de 1,5 milhão de toneladas do material. Há mais de três anos, grupos de argentinos impedem a passagem de carros e pedestres pela ponte internacional General San Martín, que liga os dois países. Tal bloqueio já causou grandes prejuízos ao Uruguai.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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