Presidente mexicano está disposto a dialogar sobre estatal, diz sindicalista

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente Felipe Calderón aceitou dialogar com o Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME) sobre o decreto que dissolveu no domingo a companhia estatal Luz y Fuerza del Centro (LFC), que detinha o monopólio do fornecimento de energia elétrica na Cidade do México e arredores.

O anúncio foi feito ontem pelo chefe do SME, Martín Esparza, durante uma manifestação na praça da Constituição, a principal da capital, que reuniu trabalhadores do setor de energia e outros sindicatos, organizações sociais e estudantis.

Diante de dezenas de milhares de pessoas, Esparza disse que o chefe de Governo do Distrito Federal, Marcelo Ebrard, opositor em nível federal, seria o intermediário nas negociações.

O governo mexicano determinou a extinção da LFC afirmando que a companhia não era eficiente e gerava altos custos, que implicavam em subsídios estatais de cerca de 42 bilhões de pesos por ano (US$ 3,2 bilhões).

Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Agustín Carstens, declarou ainda que a LFC, "além de ser ineficiente, não vinha criando empregos na região central do país, devido à baixa competitividade entre as empresas".

Durante a manifestação de ontem, Esparza exigiu a saída da Polícia Federal Preventiva das instalações da LFC, a devolução dos empregos aos trabalhadores que perderam seus cargos após a liquidação da companhia -- com a manutenção de salário e benefícios -- e respeito ao acordo coletivo.

Ele também pediu que a LFC seja restituída ao sindicato e rechaçou a tese de que a empresa tenha quebrado por causa de privilégios concedidos aos trabalhadores sindicalizados. O governo havia garantido na segunda-feira que dez mil dos 44 mil funcionários da LFC seriam recontratados por outras empresas.

Na praça da Constituição, o Palácio Nacional, sede do Poder Executivo, estava fortemente protegido com barreiras metálicas e era resguardado por policiais federais e do Estado Maior Presidencial.

"Se não há solução, haverá revolução", gritavam os manifestantes, enquanto outro dos oradores, o deputado federal Porfirio Muñoz Ledo, do minoritário Partido do Trabalho, comparava Felipe Calderón ao ex-ditador espanhol, general Francisco Franco (1936-1975).

"Queremos evitar uma guerra civil e que corra sangue", sustentou ele, propondo uma greve nacional e pedindo a renúncia do presidente. Muñoz Ledo, que é ex-ministro da Educação, defendeu o não pagamento dos recibos de serviço de energia elétrica da LFC.

Durante o protesto, também foi anunciada a união do SME ao movimento encabeçado pelo ex-candidato à presidência Andrés López Obrador. O político, que se autodenomina "presidente legítimo", alega que houve fraude nas eleições de 2006, vencidas por Calderón.

Além das manifestações na Cidade do México, outras foram realizadas nos estados de Hidalgo, Veracruz, Chiapas, Nuevo León, Morelos e Michoacán. Esparza advertiu que o SME continuará organizando marchas, piquetes e protestos na capital e em outras cidades, e que se postará em frente ao Congresso Federal, porque esta é a entidade responsável por legislar sobre a energia.

A LFC atendia a 25 milhões de pessoas na Cidade do México e em 82 municípios de estados vizinhos. Por enquanto, os serviços da empresa foram assumidos pela estatal Comisión Federal de Eletricidad (CFE), que fornece energia ao restante do país.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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