Presidente da Abradee descarta risco iminente de desabastecimento energético

Fonte RCE 23/03/2013 às 10h

 

 

 

O nível reduzido dos reservatórios das hidrelétricas não configura, no momento, um risco de desabastecimento de energia no País. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite. Em entrevista exclusiva ao Rio Capital da Energia, ele diz que o constante uso das térmicas gerou um importante impacto no caixa das empresas, mas a expectativa é que o decreto nº 7945, publicado na semana passada, possa resolver o problema.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

Rio Capital da Energia (RCE) - O nível dos reservatórios das hidrelétricas chegou, em fevereiro, a 45,5%, bem superior ao nível de dezembro, mas bastante inferior a fevereiro de 2012 (80,13%), segundo os dados do ONS. Podemos considerar esse dado preocupante, em relação à perspectiva de abastecimento?

Nelson Fonseca Leite - No momento, não podemos falar em risco de desabastecimento porque o sistema elétrico brasileiro conta com as usinas térmicas que são acionadas, como agora, para garantir a segurança do sistema. Portanto, não há risco iminente de desabastecimento de energia.

 

RCE - A redução nas tarifas de energia elétrica aos consumidores poderá elevar o consumo em algumas regiões. Quais devem ser as consequências desse consumo ampliado para o mercado, em termos de energia disponível?

Nelson Fonseca Leite - As empresas de distribuição de energia fazem investimentos constantes e planejados, já pensando no aumento do consumo. Não há nenhum risco para o consumidor caso aconteça um aumento no consumo. O Brasil conta hoje com um sistema de distribuição de energia bastante robusto para garantir esse aumento no consumo. No âmbito energético não é razoável esperar um rápido aumento de consumo. A elasticidade preço-consumo no curto prazo é baixa, ou seja, não se espera consumo perdulário pelo fato de redução da tarifa.

 

RCE - As empresas do setor estão trabalhando com risco de racionamento? Há alguma estratégia em relação a esse risco? Qual?

Nelson Fonseca Leite - Antes de mais nada, é importante contextualizar que o sistema é dimensionado para atender à demanda em níveis satisfatórios de garantia. O acionamento das usinas térmicas, neste momento, oferece o lastro complementar para o abastecimento de energia no País. Não existe nenhum risco imediato de racionamento.

RCE - Quais têm sido as consequências, para o caixa das empresas, da conjugação entre uso elevado das térmicas e redução nas tarifas?

Nelson Fonseca Leite - O uso das térmicas trouxe um forte impacto para o caixa das empresas de Distribuição, que são obrigadas a pagar esses valores à vista e só serão ressarcidas no reajuste tarifário da Aneel. Na semana passada, o governo publicou o decreto nº 7945 para resolver a questão. Acreditamos que essa medida vai sanar o problema e esperamos ainda que o decreto seja regulamentado nos pontos delegados à Aneel, objetivando pacificar esses impactos. A redução das tarifas não altera a equação econômica e financeira do segmento de distribuição, pois a redução foi oriunda de redução de despesas. Por outro lado, o impacto do 3º Ciclo Revisional reduz a capacidade de absorção de variação desses custos, podendo comprometer a própria gestão e o plano de investimentos do segmento.

 

RCE - Que iniciativas serão necessárias para eliminar os riscos de problemas no abastecimento de energia elétrica no País, ou de racionamento, nos próximos anos, na visão das empresas?

Nelson Fonseca Leite - Essas medidas estão sempre em avaliação, mas a diversificação da matriz e a reflexão sobre o retorno de reservatórios com acumulação serão pontos de pauta para discussões objetivas neste sentido.

RCE
Fonte RCE 23/03/2013 ás 10h

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