Políticos divergem sobre aprovação de pílula abortiva

Fonte ANSA FLASH 19/11/2009 às 0h
A aprovação do uso da pílula abortiva RU-486 na Itália gerou divergências entre dirigentes políticos do país, assim como a condenação do Vaticano, que se pronunciou logo após o anúncio feito na noite de ontem.

Após uma reunião de seis horas, o conselho administrativo da Agência Italiana de Medicamentos (Aifa, em italiano) aceitou, por quatro votos a favor e um contra, a solicitação do laboratório francês Exelgyn, de novembro de 2007, para comercializar no mercado italiano a pílula abortiva, um medicamento autorizado na França desde 1988, e na Espanha desde 2000.

Segundo advertiu o Vaticano, o uso de tal medicamento "é objetivamente um mal". O presidente da Pontifícia Academia pela Vida, Rino Fisichella, também denunciou que "várias mulheres morreram" pelo emprego desta pílula, "um veneno letal e um crime", que implica a excomunhão para quem a usa ou a prescreve.

Também a ministra para a Juventude, Giorgia Meloni, disse não ser a favor da medida, classificando-a como "uma mensagem negativa aos jovens".

Esta "é um Itália feia, que comemora um novo "revolucionário" método para suprimir a vida, admitindo a eliminação das dúvidas sobre a periculosidade desta pílula, e espero que realmente seja assim". Caso contrário, "a Aifa terá a responsabilidade sobre as potenciais consequências às mulheres italianas", declarou Meloni.

Já a subsecretária do Bem-Estar Social do país, Eugenia Rocella, pediu esclarecimentos à agência de medicamentos. "Pedimos que tudo seja público e que os elementos avaliados pela Aifa sejam transparentes".

Por sua parte, o líder do maior partido de oposição, o Partido Democrata (PD), Dario Franceschini, afirmou que "como estamos em um país em que o aborto é permitido por lei [desde 1978], não vejo porque ser contra a um sistema menos agressivo para a mulher".

Fabrizio Cicchitto, muito próximo ao premier italiano, Silvio Berlusconi, e líder da bancada do governista partido Povo da Liberdade (PDL) na Câmara dos Deputados, disse confiar na decisão da Aifa, pois a pílula "já foi adotada em muitos países". Contudo, afirmou que "evidentemente a objeção da Igreja é legitima".

Após anunciar sua decisão, a Aifa informou que "como garantia e para proteger a saúde da mulher, a utilização desse medicamento está condicionada ao rigoroso respeito da lei para a interrupção voluntária da gravidez".

"A decisão tomada na noite de ontem reflete o dever da proteção da saúde do cidadão, que deve ser posto acima das convicções pessoais de cada um, embora sejam merecedoras de todo respeito", disse a agência.

Em particular, deve-se garantir a internação em uma estrutura de atendimento hospitalar, como prevê a lei sobre o aborto. A pílula também só poderá ser administrada "em centros médicos" e "antes do 49º dia da gestação, ou seja, antes da sétima semana".

A RU-486, diferente da chamada "pílula do dia seguinte", que é comercializada na Itália desde 2000, permite a interrupção da gravidez sem intervenção cirúrgica em um período inferior a cinco ou sete semanas, de acordo com as prescrições médicas do país em que é administrada.
ANSA FLASH
Fonte ANSA FLASH 19/11/2009 ás 0h

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