Planos de previdência: Cuidado

Fonte Voz do Advogado 19/11/2009 às 0h
O artigo "Planos de previdência: cuidado" é de autoria do consultor financeiro e especialista em Finanças Pessoais, Administração Financeira e Mercado de Capitais, Rogério Olegário. Foi publicado na edição do mês de setembro da Voz do Advogado, Revista da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Distrito Federal.


Certa vez, fui a um banco para avaliar produtos de previdência privada. Apresentei-me como uma pessoa desinformada e disse que lidava mal com dinheiro. O atendente ofereceume um Plano Gerador de Benefícios Livre (PGBL), que venceria 20 anos depois e me pagaria, mensalmente, uma quantia próxima à rentabilidade média dos produtos de renda fixa.
Depois de muitas explicações, e tendo consciência de que a opção mais vantajosa, apesar da alta carga tributária, é resgatar tudo ao final, perguntei: posso optar por receber o montante acumulado? O funcionário respondeu que sim. Porém, sem me dar a palavra, foi enfático ao tentar me convencer a optar pelo recebimento mensal dos benefícios. Afinal, muito dinheiro em minhas mãos poderia ser um problema, uma vez que eu “lidava mal” com a energia monetária. Seria melhor, portanto, o banco cuidar disso para mim. Quanta gentileza!
Pedi os prospectos e tabelas do produto e fui para casa estudá-los. Lendo a minuta do contrato, percebi várias “pegadinhas”. A que me chamou mais a atenção dizia que, optando pelo benefício mensal, este teria a duração de apenas dez anos. Que bonito!
Agora, imagine você, a partir dos 40 anos, contribuir por duas décadas para garantir apenas mais uma. Ou seja, aos 70 anos, “tchau, previdência”. Permita-me ser trágico: e se você der o “azar” de durar até 80 ou 90 anos? Quem vai garantir o seu sustento: seus filhos, o governo ou a caridade alheia?  Pense mais um pouco. No futuro, quem pagará a sua aposentadoria mensal? Os juros do capital que você montou durante os 20 anos de contribuição. Logo, esse dinheiro é seu. Portanto, por que interromper essa contribuição depois de dez anos? Veja, o banco se apoderou do seu dinheiro.
É claro que há produtos de previdência melhores do que o oferecido a mim, mas preste atenção: a maioria vai prometer uma renda mensal até a sua morte e, talvez, pagar um benefício aos seus filhos ou outros beneficiários indicados por você. Mas só para uma geração. Permita-me ser trágico (de novo): e se você e seu beneficiário falecerem ao mesmo tempo? O capital, já em poder do banco, deixa de remunerar seus descendentes. E os seus netos, não têm direito à riqueza da família?
Não sou contra planos de previdência, são úteis a pessoas não disciplinadas e que só poupam se obrigadas a investir mensalmente. Mas lembre-se: as taxas e os impostos são altos demais. Se optar por usá-los para garantir a sua sonhada aposentadoria, estude bem suas necessidades futuras e os planos para não cair em armadilhas. Opte por sacar o montante acumulado ao final para investi-lo em um produto de renda fixa. Assim, você vai receber uma renda mensal vitalícia, desde que use apenas os juros mensais, descontada a inflação.
Há outra forma de garantir uma aposentadoria segura – com liberdade financeira para mudar de planos e aproveitar as oportunidades de fazer o dinheiro crescer mais e mais rápido. É o seu plano, administrado por você. Será mais barato e lhe dará a opção de alterar – para mais ou menos – a quantia mensal, ou de antecipar sua aposentadoria. Basta você se instruir. E a riqueza deixada por você poderá ficar com seus filhos, netos, bisnetos...
Voz do Advogado
Fonte Voz do Advogado 19/11/2009 ás 0h

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