Pesquisas desenvolvidas pelo Inpa no Alto Rio Negro resultam em livro

Fonte Ascom do Inpa 10/05/2013 às 19h
O Projeto Fronteira, desenvolvido por equipes multidisciplinares do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) entre 2007 e 2011, com o financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), teve como principal objetivo estudar a biodiversidade do Alto Rio Negro. As pesquisas realizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro resultaram em livro.

 

A publicação Desvendando as Fronteiras do Conhecimento na Região Amazônica do Alto Rio Negro reúne informações sobre a diversidade da região, inclusive novas descobertas. Foi organizada por dois pesquisadores do Inpa, Luiz Augusto Gomes de Souza e Eloy Castellón, e teve a colaboração de mais de 30 pesquisadores. “As atividades de pesquisas naquela área de difícil acesso da Amazônia foram inicialmente motivadas por interesse militar. A ideia era de levar conhecimento científico para aquela região fronteiriça, onde o Brasil faz limites com a Colômbia e Venezuela”, explica Souza.

As descobertas relatadas incluem o primeiro registro de águas vermelhas e o emprego de técnicas de biologia molecular para identificar novas espécies de peixes elétricos. O livro se divide em seis partes: o meio ambiente físico; recursos vegetais e agrobiodiversidade; diversidade da fauna; diversidade da classe Insecta; endemias e doenças tropicais; e educação ambiental e biblioteca digital.

Dentre os capítulos, é possível encontrar pesquisas diversificadas, como: estudos com cubiu, incluindo receitas diversas para consumo; estratégias para a conservação das tartarugas; pesquisas pioneiras sobre a diversidade de insetos aquáticos na região; e registro de espécies de abelhas que polinizam orquídeas. Acesse o livro.

Capacitação

Embora a região de São Gabriel da Cachoeira, município a 852 quilômetros de Manaus, apresente um ecossistema rico e de grande potencial para estudos e turismo, há também carência em recursos naturais que pode dificultar a qualidade de vida da população local.

Visando à junção de pesquisas com os benefícios sociais e econômicos, durante o desenvolvimento do projeto foram oferecidos treinamentos como criação de peixes em tanques ou em canais de igarapés, técnicas de marchetaria para confecção de pequenos objetos de madeira e a implantação de unidades piloto de meliponicultura (criação de abelhas).

“Um componente importante do projeto foi o treinamento. Havia uma preocupação em formar recursos humanos, por isso as instituições locais deram apoio fundamental para o sucesso do projeto, especialmente o Instituto Federal do Amazonas [Ifam]. Lá há uma diversidade cultural muito variada, constituída por várias etnias, e muito interesse em aprender e melhorar sua própria região”, diz Souza.

Em memória

O pesquisador ressalta a importância da participação da pesquisadora Lúcia Yuyama, que faleceu no dia 24 de abril, na coordenação da iniciativa. “A Lúcia Yuyama, que desenvolveu em sua carreira tecnologia de ponta sobre o valor nutricional das espécies frutíferas da Amazônia, foi uma das coordenadoras do projeto. Na fase de conclusão do Projeto Fronteira, dentre outros livros e cartilhas que foram preparadas, ela criou a Aninha, personagem que ensina as crianças a se alimentar melhor, descrevendo o valor das fruteiras locais”, recorda.

“É preciso muito desprendimento para voltar parte de seu trabalho ao desenvolvimento de cartilhas educacionais. Esses resultados trazem grande contribuição para popularização do conhecimento cientifico, reforçando o papel estratégico que o Inpa desempenha no desenvolvimento regional”, complementa. O trabalho de Lúcia, Aventuras de Aninha... Descobrindo os Alimentos da Floresta, foi preparado para uma série de quadrinhos educativos.

No total foram publicados 19 produtos resultantes do Fronteira, entre livros, cartilhas, baralho e fichário.

 

 

Ascom do Inpa
Fonte Ascom do Inpa 10/05/2013 ás 19h

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