Pesquisadores estudam a população de tartarugas-oliva no Brasil

Fonte Projeto Tamar 07/08/2014 às 20h
O trabalho conjunto de equipes do Projeto Tamar da Bahia e de Sergipe em parceria com a pesquisadora do programa de ecologia e avaliação de tartarugas marinhas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa), na Califórnia, Manjula Tiwari, analisa série histórica de dados coletados em temporadas reprodutivas das tartarugas monitoradas pelo Tamar no Brasil de 1999 a 2014.

Com a padronização e sistematização dos registros é possível compreender parâmetros demográficos essenciais sobre a população de tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) no País. "Os dados possibilitarão testar várias hipóteses e responder questões essenciais para tomadas de decisão e planejamento para a conservação desses animais nos próximos anos", diz Neca.

Ao longo do tempo, análises vão possibilitar a adoção de parâmetros como o número de ninhos por fêmeas, o que viabiliza contabilizar a quantidade de indivíduos desovando por temporada; o intervalo de tempo que cada indivíduo desova em uma mesma temporada; e entre temporadas, chamado de intervalo de remigração (para retornar da área de alimentação para a área de desova); a fidelidade das fêmeas a um mesmo trecho de praia para fazerem seus ninhos, dentre outros, conta a coordenadora de pesquisa e conservação do Tamar, Neca Marcovaldi.

A análise concluída será submetida a periódico científico para divulgação dos resultados e compartilhamento do conhecimento sobre a espécie. Das cinco que ocorrem no Brasil, a tartaruga-oliva é a que tem comprovadamente maior tendência de crescimento populacional por ano (12,3% de 2004 a 2011).

O registro de concentração regular de desovas em números significativos acontece apenas em um trecho de praia entre o litoral sul do estado de Alagoas e o litoral norte da Bahia, com maior densidade de ninhos no estado de Sergipe, tornando-a espécie de tartarugas marinhas mais vulnerável às ameaças e mudanças no habitat.

História

As tartarugas-oliva no Brasil deixaram de ser importantes apenas localmente. As praias de Sergipe e da Bahia abrigam as mais relevantes áreas de reprodução dessa espécie no oceano Atlântico Ocidental. A base de pesquisa de Pirambu foi a primeira a ser criada pelo Tamar, em 1981.

Nesta época, pouco se sabia sobre o comportamento reprodutivo das tartarugas marinhas. Os pescadores preferiam as noites de lua cheia para facilitar a localização e a coleta das desovas. Os ovos eram uma iguaria famosa, encontrada em Pirambu e até em Aracaju. Era preciso caminhar muito e ser muito insistente para conseguir encontrar e assistir a "dança" das raras olivas.

A transferência do conhecimento tradicional dos pescadores para os pesquisadores foi essencial para iniciar o trabalho conservação, explica a coordenadora técnica do Tamar em Sergipe, Jaqueline Comin de Castilhos. Na Costa Rica, no México e na Índia, as fêmeas sobem às praias para desovar em grandes grupos que chegam a totalizar 100 mil indivíduos por “arribada”.

Sobre o Tamar

O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), que mais tarde se transformou no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.

Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 19 bases de pesquisa e conservação e 11 Centros de Visitantes localizados em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove estados brasileiros.


Projeto Tamar
Fonte Projeto Tamar 07/08/2014 ás 20h

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