Pesquisadoras comprovam eficácia de resíduos agrícolas para tratar água

Fonte Print Comunicação 15/05/2013 às 20h

Duas vencedoras do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade revelam processos alternativos mais baratos para o tratamento da água

Tratar a água pode ser um processo bem mais barato. Isso é o que mostra dois estudos sobre tratamento de água, vencedores do Prêmio Vale–Capes de Ciência e Sustentabilidade, que provam que é possível reduzir os custos de processos e obter uma produção mais limpa com a matéria-prima vinda de resíduos da colheita na agricultura. Mais específicamente do nabo e da uva.

No primeiro trabalho, a pesquisadora Maria Cristina Silva, do curso de agroquímica da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, descobriu que há enzimas no nabo extremamente eficientes na remoção de corantes da água. A vantagem desta tecnologia é que hoje a indústria utiliza a “enzima comercial” para este mesmo fim, porém, o produto é caro e viabilizado por um processo químico com resíduos também nocivos ao meio ambiente. A enzima a partir do nabo é produzida dentro de um sistema considerado mais limpo e, o mais importante para a introdução no mercado, mais barato O preço acessível a um universo de empresas têxteis de menor porte pode e deve ajudar a combater o despejo de toneladas de corantes in natura em rios e córregos. A pesquisa da agroquímica mineira Maria Cristina, que poderá substituir a enzima comercial, venceu o Prêmio Vale-Capes na categoria Tese de Doutorado “Degradação de Corantes e Remediação de Efluentes Têxteis por Extrato Bruto de Peroxidade de Nabo”.

Assim como a pesquisadora mineira, a pesquisadora Márjore Antunes utilizou o bagaço da produção agrícola para extrair um novo produto. No caso dela, o resíduo da uva Isabel, da região de Caxias do Sul, tornou-se a matéria-prima para processos importantes do tratamento da água. Hoje, o produto químico mais utilizado neste processo é o carvão ativado. Sua dissertação de mestrado “Utilização do bagaço da uva Isabel para a remoção de diclofenaco de sódio em meio aquoso” foi a vencedora do Prêmio Vale-Capes na categoria Aproveitamento, Reaproveitamento e Reciclagem de Resíduos e/ou Rejeitos. Márjore comprova em sua pesquisa que o bagaço da uva consegue ser tão eficiente quanto o carvão, porém, com um custo final menor, além de ser ambientalmente mais sustentável. O bagaço da fruta que antes seria descartado passa a ser aproveitado no tratamento da água.

Sobre o prêmio

A Vale entregou, dia 10 de maio, em Belém, no Pará, o primeiro Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade. Dedicado aos que pensam em soluções e processos inovadores dentro das universidades brasileiras, o evento reúne 12 finalistas em quatro categorias: Redução do consumo de água e energia; Redução de gases do efeito estufa (GEE); Aproveitamento, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e/ou rejeitos; e Tecnologia socioambiental com ênfase no combate à pobreza.

O prêmio se refere às teses e dissertações defendidas no Brasil em 2011. Ao todo, foram 106 trabalhos inscritos, sendo 71 dissertações de mestrado e 35 teses de doutorado defendidas no Brasil em 2011. A idéia foi lançada durante a conferência Rio +20, realizado no Rio de Janeiro, em junho do ano passado.

Prêmios em dinheiro e bolsa de estudo

O vencedor do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade de Tese de Doutorado receberá R$ 15 mil e uma bolsa para realização de estágio pós-doutoral de até três anos em instituição nacional, podendo converter em um ano fora do país em uma instituição de notória excelência na área de conhecimento do premiado.

Já o ganhador de Dissertação de Mestrado receberá R$ 10 mil e uma bolsa para realização de doutorado em instituição nacional de até quatro anos. Os orientadores também serão prestigiados, recebendo auxílio equivalente a uma participação em congresso nacional e internacional, relacionado à área temática da tese. No caso de mestrado, o orientador vai receber R$ 3 mil e o de doutorado, US$ 3 mil.

Os critérios avaliados foram originalidade do trabalho e relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação. A comissão julgadora foi formada por pesquisadores indicados pelo ITV e pela Capes vai escolher um ganhador por tema, perfazendo oito premiados – quatro dissertações de mestrado

Organizadores satisfeitos

As instituições de ensino de São Paulo (USP e Unicamp) tiveram o maior número de inscritos: 35 trabalhos no total. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, a participação também foi significativa, com a apresentação de 15 inscritos para cada um dos estados. Já as regiões Norte e Nordeste contribuíram com 12 dissertações de mestres e teses de doutores. Os estados do Sul contribuíram com 26 trabalhos e os do Centro-Oeste, 3.

Em sua primeira edição, o concurso teve mais da metade das inscrições (54) relativas às pesquisas voltadas para o aproveitamento, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e rejeitos. O resultado foi considerado positivo pelos organizadores do prêmio, tendo em vista ser este o seu primeiro ano.

"É um resultado muito significativo, principalmente porque é a primeira vez que realizamos esta ação. O prêmio, que conta com temas abrangentes que não afetam apenas a mineração, é importante para reconhecer as contribuições mais relevantes nestas áreas. Por meio dele, buscamos incentivar a produção de trabalhos de pesquisas que podem gerar resultados práticos no futuro para reduzir nosso impacto no meio ambiente”, afirma gerente-geral de Parcerias e Recursos do ITV, Sandoval Carneiro.

Conheça os oito vencedores do Prêmio Vale-Capes:

Redução dos gases do efeito estufa (GEE)

Doutorado

Autor: Leonardus Vergutz

Trabalho: Studying the soil compartment os the global carbon cycle

Instituição: Universidade Federal de Viçosa – Agronomia

Mestrado

Autor: Pedro Rua Rodriguez Rochedo

Trabalho: Análise econômica e incerteza da captura de carbono em termelétricas a carvão: Retrofitting e Capture-Ready

Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro – Planejamento Energético

Tecnologias socioambientais, com ênfase no combate a pobreza

Doutorado

Autor: Josué de Moraes

Trabalho: Efeito in vitro de extratos e compostos naturais em Schistosoma mansoni

Instituição: Universidade de São Paulo – Biotecnologia

Mestrado

Autora: Angela Maria Maurer

Trabalho: As dimensões de inovação social em empreendimentos econômicos solidários do setor de artesanato gaúcho.

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Administração

Processos eficientes para a redução do consumo de água e de energia

Doutorado

Autora: Maria Cristina da Silva

Trabalho: Degradação de corantes e remediação de efluentes têxteis por extrato bruto de peroxidase de nabo.

Instituição: Universidade Federal de Lavras – Agroquímica

Mestrado

Autor: Jonas Rafael Gazoli

Trabalho: Microinversor monofásico para sistema solar fotovoltaico conectado à rede elétrica

Instituição: Universidade Estadual de CampinasEngenharia Elétrica

Aproveitamento, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e/ou rejeitos

Doutorado

Autor: Joner Oliveira Alves

Trabalho: Síntese de nanotubos de carbono a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos carbonosos

Instituição: Universidade de São Paulo – Engenharia Metalúrgica

Mestrado

Autora: Márjore Antunes

Trabalho: Utilização do bagaço da uva Isabel para a remoção de diclofenaco de sódio em meio aquoso.

Instituição: Universidade de Caxias do Sul – Engenharias e Ciência dos Materiais

Print Comunicação
Fonte Print Comunicação 15/05/2013 ás 20h

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