Pesquisa alerta para perigo de liberação de elementos tóxicos na queima de madeira tratada com CCA

Fonte Setor de Comunicação Integrada - Unesc 18/04/2013 às 21h

 

 

O comportamento dos diversos materiais é afetado pela temperatura. Pensando nisso a Unesc, de Criciúma/SC, realizou uma pesquisa com o Eucalyptus citriodora (conhecido popularmente como eucalipto), utilizado como elemento construtivo. O estudo analisou a madeira tratada com CCA (Arsenato de Cobre Cromatado) e a não tratada, durante o processo total ou parcial de queima. “A madeira tratada com CCA apresentou uma liberação maior daqueles elementos (arsênio, cobre e cromo), quando comparada à madeira não tratada”, comentou o professor do curso de Engenharia Civil da Unesc, Marcio Vito. O estudo foi desenvolvido no Iparque (Parque Científico e Tecnológico da Unesc).

 

“Este fator pode ser considerado preocupante, uma vez que pequenas quantidades, principalmente de arsênio, podem levar a condições agravantes de saúde”, explicou Vito. O professor explica que a exposição está muito acima do permitido. “Por exemplo, para o caso do arsênio, o máximo de exposição ao ser humano (determinado pela Organização Mundial de Saúde) seria inferior a 0,00001 mg/l e o observado em laboratório foi de 0,881 mg/l, ou seja, 88.100% acima do permitido”, revelou.

 

O pesquisador explica que a nível mundial o CCA foi substituído por CCB (Óxido Cuproso e Boro), mas que, segundo ele, também é um produto preocupante. “O boro não se adere a madeira como o arsênio, provocando o processo acelerado da sua liberação. Dessa forma em todos os países fica uma lacuna na espera de um produto mais eficaz”, afirmou.

Norma brasileira

 

A norma brasileira (NBR 10004:2004) determina o uso do CCA como Classe 1 (perigosos) no que se refere à lixiviação (liberação do elemento), mas não especifica a classificação quanto à volatilização (passagem do estado sólido ou líquido para o gasoso). “O que deveria ser considerado, já que em condições de incêndio há grande liberação de fumos, principalmente com o uso em ambientes de grande concentração de pessoas, tal como o ocorrido na cidade de Santa Maria, onde o acidente em janeiro levou a morte mais de 230 vidas por toxidade e mais de 100 foram hospitalizadas com problemas de pneumonia química”, comentou.

 

CCA

 

O CCA é o preservativo responsável pelo maior volume de madeira tratada e tem sido utilizado amplamente no mundo inteiro desde a sua descoberta, em 1933, pelo cientista indiano Sonti Kamesan. Os componentes presentes, principalmente arsênio e cromo, são elementos com alta toxicidade e, em vários países, há restrições quanto à sua utilização.

 

Essas restrições possuem como base a perda dos componentes do CCA ao longo do tempo por lixiviação ou volatilização, acarretando riscos de contaminação ao ser humano e ao meio ambiente. Além dos problemas ambientais e ocupacionais relacionados à produção e utilização da madeira tratada com CCA. Outro desafio é a disposição final dos resíduos gerados após a vida útil, por serem considerados perigosos.

 

A legislação brasileira impõe que a madeira para uso estrutural passe por tratamentos com preservativos e o processo mais utilizado no Brasil é o tratamento a base de CCA.

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Comentário:

On Fri, 19 Apr 2013 19:26:23 +0000, Comunicação wrote:

Prezados Senhores:

Ao ler a matéria transcrita em seu site no dia 16/4/13 sobre a realização de uma pesquisa que teria revelado a surpreendente descoberta de que a madeira tratada com CCA liberou maiores quantidades de cobre, cromo e arsênio do que aquela sem tratamento, fiquei duplamente decepcionado.

Em primeiro lugar, ao se considerar que pesquisa é um conjunto de ações que visam à descoberta de novos conhecimentos numa determinada área, é lamentável que recursos humanos e materiais tenham sido dispendidos em algo que é de conhecimento geral há algumas décadas.

Os próprios fabricantes de CCA destacam, em suas bulas e fichas de informação, a recomendação de não se queimar madeira tratada com esse produto em equipamentos não industriais e sem a aprovação dos órgãos ambientais competentes.

A EPA (Environmental Protection Agency) dos Estados Unidos e a ARLA (Association Régulamentaire de la Lutte Antiparasitaire) do Canadá, ao recertificarem o uso do CCA nos anos de 2008 e 2011, respectivamente, foram concordes no ponto de que “esse preservativo não oferece riscos que não sejam razoáveis a seres humanos e ao meio ambiente”. Assessorados por uma plêiade de pesquisadores de renome internacional nas áreas de ciências ambientais, médicas, de higiene e segurança do trabalho, engenharia de construções, ambos os órgão de Defesa do Meio Ambiente ressaltam a importância de adoção de Boas Práticas de Fabricação na produção de madeira preservada.

A segunda decepção veio do fato de a fonte usada pelo periódico mais uma vez ter se demonstrada jejuna em preservação de madeiras ao propalar que o CCB (Borato de Cobre Cromatado) substituiu o CCA em nível mundial. Infelizmente essa informação está mais uma vez equivocada. O CCB patenteado em 1943 pelo mesmo Prof. Sonti Kamesan que dez anos antes formulou o CCA, pelas consequências geopolíticas da segunda guerra mundial teve seu uso restrito ao leste Europeu, Turquia, Indonésia e Índia. O termo “infelizmente”, recém-empregado, vai por conta de se tratar de um grande produto, fato esse confirmado em recente pesquisa realizada pelo Prof. Ivaldo Pontes Jankowsky da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e cujos resultados foram divulgados no Congresso Internacional da IUFRO, realizado no ano passado no Estoril-Portugal (Documento IRG/WP 12-30606). Segundo os resultados divulgados, tanto o CCA como o CCB apresentaram desempenhos equivalentes, apresentando vida média das estacas de Pinus sp, com eles tratadas, superiores a 30 anos, não obstante a lixiviabilidade do boro, e sem contaminar o solo, segundo os rígidos padrões da CETESB-SP.

Sem querer pontificar, em assunto que ainda estamos longe de dominar, poderíamos aduzir que a madeira tratada com CCB, em ambientes internos e a partir de determinado nível de retenção, ficará mais resistente à propagação do fogo, ou seja, com menor flamabilidade, o que por si só não é pouco, quando este material é comparado com outros usados em construção civil (aço, alumínio).

O que também impressiona nesse texto é o aproveitamento sensacionalista da infausta ocorrência de Santa Maria-RS, onde, por sinal, não havia madeira estrutural com e sem tratamento. Neste sinistro, como em muitos outros potenciais que ainda poderão ocorrer, omite-se o uso do poliuretano, principalmente em estofamentos, que em caso de combustão produzirão muitos óbitos, deixando eventuais sobreviventes chancelados pela pneumonia química.

Feito o desabafo, se esta reportagem por um lado trouxe tristeza pela divulgação irresponsável de inverdades, por outro teve o condão de trazer à lembrança a figura de saudoso profissional em preservação de madeiras que sempre dizia em situações semelhantes e em tom de chiste que “os elefantes do Circo Serrassani (fundado na Alemanha em 1912) têm viajado o mundo todo e nem por isso aprenderam geografia”.

Atenciosamente,
Ennio Silva Lepage

PhD em Engenharia Química, especialista em preservação de madeiras e Consultor Técnico da Montana Química S.A.

Assinaturas

 

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Fonte Setor de Comunicação Integrada - Unesc 18/04/2013 ás 21h

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