Peru quer levar negociações secretas entre Chile e Bolívia à reunião da Unasul

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente peruano, Alan García, afirmou ontem que a reunião extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), nesta sexta-feira, será a oportunidade para que os países da região conheçam as negociações "reservadas" de Chile e Bolívia.

"Seguramente agora, em Bariloche [local do encontro da Unasul], teremos a oportunidade de perguntar quais são os 13 pontos" da agenda chileno-boliviana, disse García, que no fim de semana havia acusado as duas nações de manterem "por debaixo dos panos" uma negociação sobre a reivindicação boliviana de uma saída soberana para o oceano Pacífico.

Uma eventual negociação entre os dois países é alvo de críticas do Peru, porque o governo peruano também reivindica no Tribunal Internacional de Haia uma saída para o mar, perdida para o Chile em uma guerra travada entre 1879 e 1883.

García teme, assim, que o Chile dê à Bolívia uma parte dos territórios que pertenciam ao Peru, e, portanto, pede que seu governo seja consultado previamente antes de qualquer acordo.

Este deverá ser o tema que o Peru levará à Unasul, pois "há antigos interesses peruanos" em uma hipotética resolução entre os dois vizinhos, expressou García.

Por sua vez, o chanceler chileno, Mariano Fernández, confirmou que a Bolívia e o Chile trabalham de forma "reservada" uma agenda de 13 pontos desde 2006 e afirmou que caso os dois países negociem um acordo sobre esta questão, este será divulgado.

Contudo, o presidente boliviano, Evo Morales, negou a acusação de García. "Não tenho acordos reservados com o Chile. O único acordo são os 13 pontos já divulgados pelas chancelarias", reiterou.

Ontem, em decorrência das declarações de García, o governo boliviano também decidiu convocar o embaixador peruano no país, Fernando Rojas, para lhe pedir explicações.

Na próxima sexta-feira, os 12 líderes da Unasul foram convidados a uma reunião na Argentina para analisar o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, que permitirá o envio de até 1.400 norte-americanos (entre civis e militares) a bases colombianas, e que preocupa e gera críticas de países da região.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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