Parlamento Europeu rejeita plano para elevar preço de emissões de carbono

Fonte Imprensa Unicamp 29/04/2013 às 20h

Parlamento Europeu rejeita plano para elevar preço de emissões de carbono

Em seu estado atual, mercado de CO2 não estimula inovação e nem ajuda o ambiente.

Os preços no mercado europeu de emissões de carbono acentuaram a tendência de queda depois que o Parlamento Europeu rejeitou, em 16 de abril, um plano para adiar o leilão de novos lotes de emissão. Esse adiamento, proposto pela Comissão Europeia, tinha por objetivo reduzir a oferta e forçar uma alta no valor da emissão: o preço do direito de emitir gases do efeito estufa equivalentes a uma tonelada de carbono, na Europa, já girou em torno de US$ 40,há alguns anos, mas vem caindo consistentemente desde 2011, e hoje encontra-se abaixo de US$ 10.


De acordo com análise publicada online pela revista Nature, a decisão de não sustentar o preço condena o mercado europeu de emissões – no qual poluidores dos 27 países-membros da União Europeia negociam o direito de lançar na atmosfera gases responsáveis pelo aquecimento global, sob um regime de teto de emissão – “à irrelevância”, ano menos em sua configuração atual. Lançado em 2005, o mercado tinha por objetivo criar um incentivo econômico para o corte de emissões e o investimento em tecnologias inovadoras.


Com a crise econômica e a recessão que atingem o continente, no entanto, a queda na atividade industrial gerou um excesso de oferta, estimado por especialistas em 2 bilhões de toneladas para o período 2013-2020, que o Parlamento Europeu optou por não corrigir. Após a votação de 16 de abril, os preços caíram a inda mais, com uma perda de valor de 50% registrada em menos de dez minutos.


“A Europa precisa de um mercado de carbono forte para cumprir nossas metas climáticas e estimular a inovação”, disse nota divulgada pela Comissão Europeia após a rejeição da proposta. “A Comissão segue convicta de que o adiamento da oferta teria ajudado a restaurar a confiança” no sistema.


O jornal The New York Times lembra que, poucos anos atrás, analistas acreditavam que o mercado mundial de emissões de carbono chegaria a valer US$ 2 trilhões até 2020. Na verdade, o total movimentado ano passado não passou de US$ 80 bilhões, depois de atingir um pico de US$ 124 bilhões em 2011. Cerca de 90% de todos os negócios são feitos no mercado europeu.


Pelo sistema de “cap-and-trade” (teto e mercado), são negociadas permissões para a emissão de gases causadores do efeito estufa. Ao final de cada ano, empresas europeias cuja atividade envolve um grande volume de emissão, como geradoras termelétricas e siderúrgicas, têm de entregar a seus governos um número de permissões que cubra os gases liberados na atmosfera. O baixo preço do carbono já está levando algumas usinas geradoras de eletricidade a abandonar o gás natural – um combustível comparativamente mais limpo – e voltar a usar carvão.


Enquanto o mercado de emissões patina, no entanto, a União Europeia inicia os debates de sua política de meio ambiente para a década 2020-2030. Um documento com propostas nesse sentido encontra-se em consulta pública até 2 de julho, e prevê novas reduções nas emissões de CO2 do continente.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 29/04/2013 ás 20h

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