Paraguai pede que regime de facto de Honduras respeite a "integridade física" de Zelaya

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pediu respeito "à integridade física" do mandatário deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que voltou ontem ao seu país na tentativa de reverter o golpe de Estado que o tirou do poder há cerca de três meses.

Por meio de um comunicado oficial, Lugo expressou sua "preocupação" e exortou "que as autoridades de facto respeitem a investida e a integridade física do Presidente Constitucional".

O mandatário paraguaio analisou com os seus assessores a situação dos cidadãos hondurenhos que se manifestam solicitando a restituição da normalidade democrática no país e defendeu que "devem ser garantidos, pelos meios disponíveis, a liberdade de expressão cívica e o direito à mobilização".

Lugo reiterou a "posição firme" do governo do Paraguai para restituir Zelaya, que atualmente está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Na mesma linha, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu para o governo de facto hondurenho, do presidente Roberto Micheletti, "encontrar um modo de dialogar e evitar a violência".

Hillary deve se reunir hoje em Nova York com o presidente da Costa Rica e mediador da crise política hondurenha, Oscar Arias, para discutir o assunto.

Devido à volta do presidente deposto, o governo de facto do país ampliou o toque de recolher -- imposto ontem -- por mais 24h e suspendeu os voos internacionais, supostamente para impedir o ingresso de missões internacionais, como a da Organização dos Estados Americanos (OEA), presidida por José Miguel Insulza, já que grande parte comunidade internacional repudia o golpe e não reconhece o novo governo.

Zelaya entrou ontem em Honduras -- segundo o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ele viajou por terra, "cruzando montanhas, rios, arriscando a sua vida" -- e está refugiado na Embaixada do Brasil. Ontem, nos arredores do local havia centenas de seus partidários.

O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, confirmou que Zelaya fez uma escala técnica em seu país, mas que em nenhum momento "houve comunicação formal" entre eles.

Funes também disse não saber de que forma o presidente deposto conseguiu retornar. "Como entrou em Honduras? Não sabemos, terá que perguntar a ele", respondeu o salvadorenho questionado por jornalistas.

De acordo com Zelaya, o regime de Micheletti "está tomando medidas repressivas mais duras contra muitas atividades que estão sendo desenvolvidas pacificamente em Honduras".

"Minha presença aqui é precisamente para evitar que siga a desordem que imperou depois do golpe de Estado. Eu faço um chamado aos membros deste regime de facto para que reflitam que não podem fechar os aeroportos como estão fazendo agora", disse Zelaya.

Enfatizando que a destituição de Zelaya é um tema interno, Micheletti, por sua vez, pediu ontem ao Brasil que entregue o mandatário, que responde na Justiça de seu país a uma série de acusações, incluindo a de violação da Constituição.

Por meio de uma nota enviada à Embaixada do Brasil, a Chancelaria do regime de facto também condenou a "tolerância" da representação diplomática diante dos "chamados à insurreição" feitos por Zelaya a partir de suas dependências, o que constitui "uma flagrante violação do Direito Internacional".

No último dia 28 de junho, Zelaya (que tem mandato presidencial até 2010) foi tirado de Honduras por militares, em meio a uma tensão política gerada devido à intenção do mandatário de realizar uma consulta popular para alterar a Constituição.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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