Paraguai defende substituição de gastos militares por investimentos sociais

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse hoje que irá reiterar, durante a reunião do Conselho Sul-Americano de Defesa que ocorre amanhã em Quito, a postura de seu país de priorizar gastos sociais em vez de adquirir armas e equipamentos militares.

O diplomata afirmou que irá liderar, junto ao vice-ministro da Defesa, Roberto Marecos, a delegação paraguaia que irá à reunião do Conselho, composto pelos ministros da Defesa e os chanceleres dos 12 países que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

"Obviamente, o investimento desproporcional [em segurança] gera consequências para o bem-estar da população", observou o ministro. Segundo ele, a opção paraguaia será "priorizar políticas sociais em detrimento dos temas de segurança".

Apesar disso, Lacognata reconheceu a importância do papel desempenhado pelas Forças Armadas na América Latina, destacando que tais corporações devem manter suas atividades "para combater o crime organizado internacional".

O chanceler também se colocou à disposição para prestar esclarecimentos sobre o armamentismo boliviano, apontado com preocupação por alguns setores da sociedade paraguaia, devido à grande extensão da fronteira bilateral e ao fato de as duas nações terem protagonizado a Guerra do Chaco, que entre 1932 e 1935 deixou quase 100 mil mortos.

No fim de agosto, quando os governantes da Unasul se reuniram em Bariloche para discutir o novo acordo militar que a Colômbia assinará com os Estados Unidos para ceder sete bases situadas em seu território, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, já havia criticado o crescimento dos gastos na região com instrumentos militares e ressaltou o caráter pacifista de seu país.

Amanhã, os ministros retomarão o debate sobre o convênio entre Bogotá e Washington, mas podem também estender as conversas a outros temas que envolvem a segurança do continente, entre eles as compras de armas.

Marinha

Também hoje, o comandante da Marinha paraguaia, contra-almirante Claudelino Recalde, cobrou do governo o fortalecimento da instituição, para que se possa ampliar o patrulhamento nas fronteiras fluviais e garantir a segurança dos recursos aquíferos.

Ao discursar por ocasião do Dia da Marinha, o militar lembrou que 70% dos limites territoriais do país são fluviais, e que além disso o Paraguai detém "aquíferos que correspondem à maior porcentagem de água potável em estado líquido" do mundo.

"Fortes interesses inadiáveis indicam a necessidade de fortalecer a Marinha paraguaia, para que ela disponha de um poder naval capaz de respaldar e garantir a segurança" destes recursos, sustentou Recalde.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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