Para representante do Vaticano, imigração não é problema de ordem pública

Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 às 0h
O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes, monsenhor Antonio Maria Vegliò, afirmou hoje que a imigração é um "fenômeno humano em contínua evolução e crescimento" e não deve ser tratada como um problema "de ordem pública".

"É necessário superar os medos que nascem da migração vista como uma incógnita, algumas vezes reduzida exclusivamente a uma questão de ordem pública que deve ser confrontada com a repressão", argumentou Vegliò.

O pronunciamento foi feito na abertura do VI Congresso Mundial para a Pastoral dos Migrantes e Refugiados, iniciado nesta manhã no Vaticano e que se estenderá até o dia 12. O evento reúne 300 pessoas de 81 países.

"Olhando para o futuro, se poderá provavelmente pensar em instrumentos adicionais para preencher algumas lacunas que emergem em um fenômeno humano em contínua evolução e crescimento, ou em uma nova convenção internacional que sintetize as normativas sobre diretos e deveres dos migrantes", continuou o religioso.

Vegliò disse ainda que "hoje, contudo, parece mais importante apontar para uma integração, o que não equivale a um processo de assimilação".

O presidente do Senado italiano, Renato Schifani, também falou na cerimônia de abertura do congresso e concordou que não se pode "afastar nossos irmãos imigrantes e refugiados considerando-os um problema que o Estado deve resolver somente sob o perfil da ordem pública e da segurança".

Schifani, porém, disse que "a solidariedade e a integração" serão mais sólidas se os imigrantes demonstrarem vontade de respeitar a "legalidade, as tradições e a cultura" da Itália.

Durante o evento, o presidente do Senado também lembrou as recentes polêmicas relacionadas à decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, que condenou o país a pagar uma indenização de cinco mil euros a uma cidadã italiana de origem finlandesa que havia pedido a retirada de crucifixos da escola na qual seus filhos estudam -- solicitação que fora negada pela diretoria da instituição, localizada na cidade de Abano Terme, em Padova.

Em sua decisão, o tribunal entendeu que a presença de símbolos de representação religiosa em escolas constitui "uma violação [dos direitos] dos pais em educar seus filhos segundo suas próprias convicções" e uma "violação da liberdade de religião dos alunos".

"Considerar discriminatório o crucifixo nos lugares públicos", prosseguiu Schifani, poderia incorrer "em uma canseira ou preguiça de pensamento que todos devemos esperar não se torne o prelúdio de uma inércia moral na busca autêntica de valores que estão na base de um desenvolvimento tranquilo de todas as comunidades civis".

O presidente do Senado disse ainda que quem acolhe os imigrantes não se deve "sentir esvaziado da própria história, mas enriquecido em sua identidade através de um encontro no qual, sobre a hostilidade e a indiferença, prevalece o respeito".

Nos últimos meses, a Itália adotou medidas para controlar a entrada de imigrantes no país, principalmente os clandestinos.
 
Em agosto, entrou em vigor a nova Lei de Segurança, que criminaliza a imigração ilegal. Os estrangeiros irregulares correm o risco de ficar detidos por seis meses em centros de identificação e expulsão, pagar multas de até 10 mil euros e serem expulsos do país. A norma também determina que os cidadãos italianos não podem alugar imóveis a pessoas sem documentos.

De acordo com o Ministério do Interior italiano, o desembarque de imigrantes clandestinos durante o ano passado foi quase 75% maior do que o registrado em 2007.
Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 ás 0h

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