Para evitar o inferno a Europa terá que passar pelo purgatório

Fonte FECOMERCIO - SP 15/05/2012 às 10h
 figura de linguagem do purgatório parece muito adequada para explicar o que acontece na Europa, especialmente na Zona do Euro e entre os países da União Europeia. Os países do continente viveram momentos de puro lazer no final da década de 1990, início dos anos 2000. Esse comportamento de luxúria, de ganância e de muitos direitos e poucos deveres para seus cidadãos são típicos dos pecados capitais da economia. Dão muito prazer nos momentos de gozo, mas podem te levar ao inferno quando a fatura chegar.

É exatamente isso que está acontecendo na Eurolândia. Muito consumo, muito lazer, poucas responsabilidades, poucas horas trabalhadas. Mas a conta do resort chegou e os hóspedes (trabalhadores e governos europeus) não tinham mais crédito para continuar de férias às custas de poupanças de outros países, notadamente da China, do Japão e da Alemanha (única economia dentro do bloco que se manteve dentro das regras santas dos livros de macroeconomia).

Como havíamos comentado várias vezes no ano passado, os momentos de crise aguda ainda persistirão por muitos meses, talvez anos, com a Europa crescendo pouco ao longo de todo esse período e com a situação econômica ruim moldando o ambiente político. Esse não é o tema do boletim, mas somente a título de curiosidade, desde o início dessa crise que ficou evidente com o problema grego, já ruíram 12 governos que foram trocados nas urnas pelas suas oposições. Tomara que os oportunistas políticos que ganharam as eleições não se rendam ao populismo fácil do momento e adotem posturas que efetivamente resguardem o futuro europeu.

Voltando ao tema, os espasmos como o atual, que volta a ter como epicentro a Grécia, vão continuar ocorrendo. Da mesma forma que os boletins passados, a FecomercioSP crê que não há solução fácil e ainda acredita que de uma forma ou de outra o bloco econômico sobreviverá, mantendo a integridade do Euro também, apesar do mau momento. Quando os espasmos ocorrerem, os outros mercados serão contaminados, como o Ibovespa por exemplo. Outro efeito colateral é a apreciação de moedas como o dólar, fato que no Brasil está acirrado por conta de medidas que já visavam ajudar na apreciação da moeda americana. Por isso, nestas últimas semanas a Bolsa perdeu grande parte dos ganhos que havia conseguido em 2012 (chegou a 20% no primeiro trimestre) e o dólar depois de atingir recordes de baixa está mais valorizado do que no final do ano passado. Passado os espasmos – e passarão – o cenário vai se amenizar, até um novo motivo para crise, que, podemos apostar, será novamente na Europa. O tempo no purgatório nunca é curto.





 
FECOMERCIO - SP
Fonte FECOMERCIO - SP 15/05/2012 ás 10h

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Para evitar o inferno a Europa terá que passar pelo purgatório