Para arcebispo, ciência se torna "um problema" quando é tida como ideologia

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, arcebispo Gianfranco Ravasi, afirmou hoje que a fé e a ciência se confrontam apenas quando "certas teorias" são tidas como "ideologias".

"O contraste pode nascer somente quando se adotam teorias fazendo delas ideologias, como aconteceu com o evolucionismo e o criacionismo [de Charles Darwin, ndr.]", comentou Ravasi, ao participar da apresentação de uma mostra sobre o físico italiano Galileu Galilei (1564-1642), que será exposta nos Museus Vaticanos.

Sobre o atual interesse do Vaticano em Galileu, Ravasi explicou que isto se deve, em parte, à disponibilidade da documentação sobre suas pesquisas e sobre suas relações com o Tribunal do Santo Ofício, o que permite "interpretar, com seriedade e objetividade, o que aconteceu".

Galileu foi condenado pela Santa Inquisição da Igreja Católica em 1633 por sua teoria heliocentrista [segundo a qual o Sol é o centro do Sistema Solar], confirmada posteriormente.

De acordo com o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, o interesse pelo físico italiano também é fruto de um incentivo do papa Bento XVI no "aspecto racional da pesquisa teológica e também da científica".

Ravasi destacou que a Igreja Católica não possui rancores de Galileu, nem de Charles Darwin, e que os diálogos entre fé e ciência caminham para a expansão.

Para o representante do órgão vaticano, é preciso que religião e ciência dialoguem, mas sem se sobrepor, mantendo cada um seus instrumentos de pesquisa.

Além disso, segundo ressaltou o religioso, cientistas e teólogos "não devem ter sempre abertos os tribunais da história", mas sim, "olhar o futuro".
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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