OEA pede que hondurenhos retomem clima positivo de diálogo

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu hoje às partes envolvidas na crise hondurenha que deixem de discutir a legalidade do golpe de 28 de junho e se concentrem em recuperar o "clima positivo" de diálogo que havia surgido nos últimos dias.

Insulza apresentou diante do Conselho Permanente da OEA um breve relatório sobre a situação em Honduras, onde as negociações entre o regime de facto e os representantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, estancaram após alguns avanços obtidos.

Ele lembrou, porém, que "nenhuma das duas partes mencionou intenções de abandonar o diálogo" para resolver a crise, deflagrada com a deposição do presidente constitucional em junho e intensificada com sua volta inesperada ao país, em setembro.

"O diálogo é importante para todos os hondurenhos, não somente para os protagonistas" do impasse, ponderou o secretário-geral, recordando que a validação das eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro está condicionada ao sucesso das negociações.

Insulza ressaltou ainda que representantes da OEA permanecem em Tegucigalpa para ajudar no desenvolvimento das tratativas. "Nossa preocupação é dupla: que o diálogo avance e não se perca o clima positivo que foi criado."

Para que a evolução continue, Insulza disse ser necessário voltar "à forma em que se originou o diálogo", referindo-se aos pontos do Acordo de San José, tentativa de mediação estabelecida no início da crise pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

A proposta inclui, como uma de suas principais condições, o retorno de Zelaya ao poder, mas à frente de um governo de coalizão.

"É preciso trabalhar sobre os pontos nos quais é previsível" que se alcancem progressos, e deixar de lado a discussão sobre as características do golpe, sugeriu o chefe da OEA.

Insulza condenou ainda os atos de intimidação praticados pelas autoridades de facto contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde que retornou a Honduras. "Já nos acostumamos [com o fato de] que o prédio esteja rodeado de policiais", afirmou.

"O problema é que a hostilidade segue, os ruídos noturnos, as manifestações, as provocações, e isso é preocupante", complementou.

As "hostilidades" contra a Embaixada foram detalhadas pelo representante do Brasil perante a OEA, Ruy Casaes. O diplomata protestou contra as "severas medidas de intimidação e desmoralização", as quais classificou como "tortura" contra as pessoas alojadas na sede diplomática.

Casaes afirmou ainda que as forças de segurança revistam permanentemente a comida e a água que entram na Embaixada e revelou que durante as noites se escutam "cornetas" e "ruídos de animais", que visam impedir que as pessoas no interior do edifício possam dormir.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

Compartilhe

OEA pede que hondurenhos retomem clima positivo de diálogo