O fim do "cientista maluco"

Fonte Jornal da Unicamp 17/08/2014 às 19h
A figura do “cientista maluco” está desaparecendo do cinema e da literatura, mesmo depois de ter sido, durante o século 20, a forma dominante de representação do pesquisador no imaginário popular, diz artigo publicado, em junho, no periódico Public Understanding of Science.

A autora, Roslynn D. Haynes, faz um histórico da estigmatização, no folclore e na cultura popular, do buscador de conhecimento – dos mitos bíblicos e gregos, passando pelo alquimista medieval e chegando ao cientista – e associa o fenômeno a “um medo profundo do poder que não pode ser conquistado ou destruído pelas armas, decretos religiosos ou outros meios tradicionais”. Esse medo, argumenta ela, leva à reação típica da cultura contra os poderosos: subversão por meio da caricatura ou da vilificação.

“Os dois estereótipos mais prevalentes do cientista, o do inventor amalucado e o do tipo alquimista, obsessivo e perigoso, exemplificam esses dois modos de subversão”, escreve a autora. Mas esses estereótipos vêm sendo cada vez menos usados.

Ela cita, como exemplos da nova forma de representar o cientista na cultura, obras do escritor britânico Ian McEwan e um novo gênero literário, o “lab-lit” (“literatura de laboratório”), no qual cientistas aparecem como personagens envolvidos em questões não apenas científicas, mas também profissionais, pessoais, políticas e familiares.

Roslynn menciona ainda, como fatores do resgate da figura do cientista na cultura, uma mudança na visão da relação entre ciência e meio ambiente – na qual o pesquisador deixa de ser encarado como cúmplice da degradação e passa a ser tratado como parte da resistência – e o surgimento de novos “vilões”, como o fanático religioso.
Jornal da Unicamp
Fonte Jornal da Unicamp 17/08/2014 ás 19h

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