O 100º Trabalho

Fonte Simone Mihich Bueno e Micki Mihich 19/11/2009 às 0h
Em “O 100º Trabalho” (título original em inglês "The 100th Job"), o escritor-diretor natural de São Paulo Micki Mihich presta homenagem ao cinema mundial - e aos fãs de cinema - através de um filme neo-noir que mistura os elementos noir tradicionais (história, narração, locações e personagens sombrios) com a tecnologia cinematográfica moderna (o filme foi filmado em HD e contou com um adaptador de lentes especial e correção de cor digital, entre outras técnicas, para conseguir um visual de película).

Na história, nós acompanhamos um assassino profissional em sua preparação e jornada para cumprir o trabalho que o promoverá dentro da organização criminosa.

Um verdadeiro mergulho na escuridão da natureza humana, porém com toda a elegância cinematográfica, “O 100º Trabalho” vem representando o Brasil em festivais internacionais e tem conseguido críticas favoráveis na imprensa americana; foi considerado “Um thriller de verdade com estilo de verdade” pelo jornal latino Remezcla de San Francisco e “Intrigante” pelo Orlando Sentinel da Flórida. Foi convidado para ser o filme inaugural do ThrillSpy Festival em Washington D.C., o primeiro e único festival especializado em filmes de crime e ação.

A excelente trilha sonora foi composta por um dos maiores guitarristas brasileiros, Marcos Kleine (Leo Jaime, Ultraje a Rigor, Banda Vega, Duovision, entre outras).

O mais curioso, entretanto, é que o destaque conseguido por “O 100º Trabalho” tem sido "remando contra a maré", uma vez que vem encontrando opiniões divididas em relação à sua nacionalidade.

O filme tem sido bem recebido pelos festivais que classificam seus filmes por gêneros (crime, drama, comédia, etc.), mas vários festivais americanos classificam seus filmes como "Americano" ou "Internacional".

Estes festivais têm demonstrado resistência contra o filme porque o mesmo é falado em inglês, filmado nos Estados Unidos, mas ainda assim seus produtores fazem questão de registrá-lo como filme brasileiro.

Alguns destes festivais chegaram até mesmo a se comunicar com a produção questionando se eles não queriam mudar a nacionalidade do filme para "americano", uma vez que o filme além de não ser falado em português e não lida com "temas brasileiros" (eles afirmam que na categoria "Internacional" eles buscam por "diversidade cultural").

Mas como o filme foi escrito, dirigido e produzido por brasileiros, este deve ser considerado brasileiro na opinião de seus produtores, portanto estes continuaram a inscrevê-lo como brasileiro, mesmo sabendo que isto diminuiria as chances de “O 100º Trabalho” (não é preciso dizer que nenhum destes festivais aceitou o filme). Além disto, como o filme foi produzido com mais de 50% de fundos provenientes do Brasil, o mesmo deve ser tecnicamente considerado brasileiro.

O que mais surpreendeu os produtores, entretanto, foi o fato de que os festivais brasileiros têm se comportado da mesma maneira."Eu realmente não entendo qual o problema", diz o diretor-roteirista Micki Mihich, "Não pode ser porque o filme é ruim, senão não estaria tendo o trajeto positivo que vem traçando. Então perguntei a pessoas do meio cinematográfico brasileiro e achei as respostas absurdas - é porque o filme é falado em inglês, filmado fora do Brasil e não trata de coisas brasileiras".

"Oras, é um filme noir passado nos EUA, uma vez que em primeiro lugar, o filme é uma homenagem ao cinema mundial e todos os cineastas, inclusive os brasileiros, devem muito ao cinema originado dos filmes noir passados nos EUA", Mihich continua, "Em segundo lugar, que os gringos queiram ver bundas e berimbaus, favelas e samba não me surpreende, o que me assusta é os próprios brasileiros não acharem legal mostrar que a gente não sabe só fazer filme brazuca, mas filme gringo também. O problema também não pode ser porque o filme é falado em inglês, uma vez que o Sepultura canta em inglês e é considerada uma banda brasileira (mesmo sem também tocar música brasileira), Caetano gravou em inglês, Carmen Miranda construiu sua carreira em inglês, os exemplos abundam. Finalmente, arte não tem língua, arte é uma língua em si mesma, e a língua que eu estou falando é a do cinema. O resto é detalhe e não deve importar. Por essas e outras não entendo qual o problema. Mas sigo em frente. Sempre".

Desviando dos percalços, "O 100º Trabalho" continua lutando por seu espaço e, conseqüentemente, devido ao patriotismo de seus produtores, o do próprio Brasil no mercado mundial de cinema.

“O 100º Trabalho” já está com exibição confirmada no Central Flórida Film Festival, no dia 5 de setembro, às 4:30 da tarde e no New Filmmakers, no Anthology Film Archives de New York, no dia 5 de outubro, às 6:00 da tarde.

Também será exibido (datas e horários a confirmar) no ThrillSpy em Washington D.C. em outubro e no Orlando Film Festival em novembro.
Simone Mihich Bueno e Micki Mihich
Fonte Simone Mihich Bueno e Micki Mihich 19/11/2009 ás 0h

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