Nova Friburgo adere à campanha da ONU para redução de consequências de desastres

Fonte Agência Brasil 23/05/2012 às 21h
 município de Nova Friburgo é o primeiro da região serrana do Rio de Janeiro a aderir à campanha da Estratégia Internacional para a Redução de Desastres da Organização das Nações Unidas (ONU), conhecida como Construindo Cidades Resilientes.

A iniciativa, que, no Brasil, é promovida pelo governo federal por meio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, estabelece o compromisso do município em seguir um plano de ação que enumera dez passos para reduzir as consequências de desastres naturais.

Entre as medidas que compõem a lista estão investimentos em infraestrutura, como obras de drenagem para evitar inundações; aplicação de regulamentos sobre construção e ocupação do solo; identificação de áreas seguras para cidadãos de baixa renda e, modernização, quando possível, dos assentamentos informais.

De acordo com o prefeito de Nova Friburgo, Sérgio Xavier de Souza, que assinou hoje (23) o documento de adesão à campanha da ONU, o objetivo é aumentar o grau de consciência e compromisso em torno das práticas de desenvolvimento sustentável, como forma de diminuir as vulnerabilidades e propiciar o bem-estar e a segurança dos cidadãos. Ele destacou que é fundamental a integração entre governos locais e sociedade civil, já que o município é quem garante a primeira resposta em situações de crises e emergências.

Nova Friburgo foi uma das cidades da serra fluminense mais prejudicada pelas enchentes que atingiram a região em janeiro de 2011, provocando a morte de centenas de pessoas e deixando milhares sem moradia. “Este momento é importante porque estamos nos preparando para evitar novas tragédias, pelo menos, nas mesmas proporções daquela do ano passado. O cenário pós-tragédia foi muito devastador, mas a sociedade está se organizando para identificar problemas e construir alternativas por meio de diálogo franco e aberto e o Poder Público mostra a intenção de fazer parte desse programa que vai trazer desdobramentos positivos”, observou o prefeito.

A analista de redução de risco de desastre na região serrana, da organização não governamental Care Brasil, Roberta Dutra, explicou que a campanha da ONU funciona como uma chancela da instituição ao esforço de reconstrução da cidade. A ONG é uma das parceiras da prefeitura nessa iniciativa. “Com a inscrição na campanha, a cidade tem mais possibilidades de receber apoio internacional, seja por investimento econômico ou humano. Tem mais visibilidade e credibilidade de suas ações e entra numa rede de cidades que trocam soluções e experiências bem sucedidas. Tudo isso ajuda também na recuperação de atividades econômicas, como o turismo, e no resgate da cidadania da população”, disse Roberta Dutra.

Ela enfatizou que a adesão à campanha prevê a criação de um comitê gestor, que inclui representantes do Poder Público e da sociedade civil, que tem a responsabilidade de avaliar o cumprimento de cada passo. O grupo deverá enviar sistematicamente relatórios de acompanhamento para os interlocutores da ONU.

Roberta Dutra ressaltou que, além de Nova Friburgo, apenas Macaé, no norte do estado, faz parte da campanha, entre os municípios fluminenses. Em Santa Catarina, há oito cidades que participam da iniciativa.

Fernanda Milanez, coordenadora da ONG Diálogo, formada logo após a tragédia do ano passado para apoiar a reconstrução da cidade, lembrou que o processo de recuperação do município está “caminhando”, mas ainda precisa haver maior articulação entre todas as iniciativas que estão sendo desenvolvidas na região. “Há muitas coisas sendo feitas, mas ainda falta integração entre elas. Com a adesão à campanha, acho que vai ser mais fácil articular tudo isso, porque as ações vão ganhar mais visibilidade, vão envolver outros atores e permitir a multiplicação das experiências bem sucedidas para outros bairros e municípios”, avaliou.

A coordenadora da ONG citou o Plano de Emergência da Sociedade Civil, criado depois de reuniões com as comunidades de 44 bairros de Nova Friburgo, com o objetivo de complementar o Plano de Emergência do Município. O documento, que aponta as principais demandas e vulnerabilidades de cada comunidade e compreende as áreas de risco mais atingidas no desastre de 2011, foi entregue há dois meses aos gestores públicos locais para auxiliar nas ações de reconstrução.

Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 23/05/2012 ás 21h

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