No Peru, Zelaya denuncia "repressão permanente" contra hondurenhos

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse hoje que o golpe de Estado que o tirou do poder, em 28 de junho, culminou em uma "ditadura militar que reprime permanentemente" a população.

Zelaya chamou de usurpador Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso para substituí-lo na presidência, e garantiu que o governante de facto "terá de responder pelos fatos consumados", referindo-se às denúncias de violações dos direitos humanos supostamente cometidas sob sua administração.

Nesta quarta-feira, a organização humanitária Anistia Internacional divulgou fotos e um relatório em que denuncia agressões e prisões em massa contra civis.

O chefe de Estado deposto foi recebido hoje em Lima pelo presidente peruano, Alan García, que reiterou seu repúdio ao golpe.

Após o encontro, durante uma entrevista coletiva, Zelaya reiterou sua intenção de retornar a Honduras. "Não tenho de aceitar viver "desterrado"", afirmou.

Ao comentar a postura da Casa Branca em relação à crise política vivida por seu país, ele voltou a dizer que o presidente norte-americano, Barack Obama, reagiu de maneira "contida" ao golpe.

Mais tarde, em uma entrevista concedida à rádio RPP, do Peru, Zelaya ponderou que, embora a comunidade internacional já tenha adotado uma série de medidas "diplomáticas e econômicas" para isolar Micheletti, é necessário ampliar a pressão. "Se avançamos neste campo, o golpe não resiste nem cinco minutos", disse.

Segundo o presidente destituído, "os Estados Unidos podem fazer mais", já que "não se trata de uma intromissão, porque neste caso está sendo respeitada a carta democrática da OEA [Organização dos Estados Americanos] e agindo de acordo com os governos da América Latina."

"Ninguém, nem os Estados Unidos, poderá conviver com um golpe de Estado", enfatizou ele. Para Zelaya, a sobrevivência do regime de Micheletti é um "mau exemplo", e pesaria contra "os governos democráticos da América Latina não conseguir reverter o golpe".
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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