Neurologista fala sobre descoberta do novo Gene responsável pela enxaqueca

Fonte Flávia Ghiurghi 15/05/2013 às 18h

Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e pós-doutor pela University of British Columbia, no Canadá (CRM 109665)

É provável que, ao menos uma vez na vida, todos nós tenhamos uma crise de dor de cabeça. E, embora não seja o tipo de cefaleia mais comum, a enxaqueca provoca enorme impacto na vida produtiva e social dos indivíduos que a desenvolvem cronicamente. E são muitos! Estima-se que cerca de 15% das pessoas sofrem com crises fortes, geralmente, de um lado da cabeça, muitas vezes associadas a náusea, vômito e uma diminuição importante do limiar para estímulos sonoros, visuais e olfativos.

Em relação à causa da enxaqueca, como ocorre com diversas outras doenças neurológicas, sabemos que existe uma interação entre diversos fatores, dentre eles: ambientais, hormonais e genéticos. E, justamente do ponto de vista da genética, conseguimos recentemente um grande avanço. Afinal, aquelas pessoas que têm enxaqueca sabem como é comum indivíduos da mesma família e de gerações diferentes também se queixarem do mesmo problema: as terríveis dores latejantes!

O estudo foi publicado em uma revista translacional de ciência (usamos o termo “translacional” toda vez que o estudo une as duas pontas principais da pesquisa, ou seja, experimentos em seres humanos e em animais de laboratório, testando a hipótese científica de maneira muito mais consistente).

Os pesquisadores do departamento de Neurologia da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos, primeiramente, estudaram duas famílias diferentes com história familiar de enxaqueca e descobriram um gene que codifica uma enzima, conhecida por caseína-quinase, do inglês, casein-kinase.

Na sequência do experimento, os pesquisadores conseguiram desenvolver camundongos de laboratório portadores deste gene alterado (com a mutação). O resultado, muito interessante, foi demonstrar que estes camundongos eram muito mais sensíveis a estímulos dolorosos e tinham alterações neurofisiológicas e neuroquímicas que podem justificar parte dos sintomas que alguns pacientes com enxaqueca experimentam, por exemplo, o que chamamos de “aura”, normalmente um ponto luminoso, brilhos ou luzes que duram cerca de 10 a 20 minutos e ocorrem antes da crise de enxaqueca propriamente dita.

Em resumo, estamos cada vez mais perto de entender a fundo este complexo, porém, muito comum problema que aflige milhões de brasileiros, a enxaqueca. E mais uma vez, nunca é tarde lembrar que a auto-medicação não deve ser encorajada, que existe uma centena de outros tipos de dor de cabeça e, portanto, a opinião de um médico especialista deverá ser consultada sempre.

Flávia Ghiurghi
Fonte Flávia Ghiurghi 15/05/2013 ás 18h

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