Museu da Abolição - Exposição As Aguas da Memória, a Rota do Ex-Cravo

Fonte Imprensa Museu da Abolição 01/05/2013 às 21h
O Museu da Abolição tem o prazer de apresentar a exposição internacional “As Aguas da Memória, a Rota do Ex-Cravizado”, projeto que comemora o dia Internacional da memória do Trafico Negreiro e sua Abolição, parceiro da Unesco desde 2004. Realizada pela artista plástica e curadora pernambucana, Inêz Oludé da Silva, residente em Bruxelas desde 1976, onde chegou como exilada polítca. A exposição já foi vsta em Bruxelas, paris, Hamburgo, Washington.
Trata-se de um trabalho artístico de releitura, no qual se aborda o tema da escravidão através de intervenções, oficinas, exposições de artes visuais e performances. Uma visão contemporânea, criando novas rotas que pretendem estimular a reflexão. Desconstruir a ideologia e a propaganda produzida no período colonial é o desafio da artista. Este trabalho expressa ao mesmo tempo a coragem de mergulhar nas águas memoriais destas imagens que provocam sentimentos de tristeza e dor.
“Construi as imagens com o intuito de me reapropriar a história. Tento entender a força descomunal, a coragem e a dinâmica destes seres que conseguiram sobreviver durante a tenebrosa travessia oceânica .Cheia de respeito e admiração, me pergunto de maneira pungente e obsessiva como puderam se reinventar num mundo complexo, (onde sobreviver era (e ainda é), uma façanha extraordinária e imensa” afirma Inêz Oludé.
A proposta rompe com o silêncio do mais longo período de escravidão nas Américas, 358 anos (1530-1888), interpõe as visões manipuladas que se têm da escravidão e da herança mais que deturpada da história. Convida o espectador a deixar de lado o que aprendeu nos livros e se deixa transportar pelas obras e forme sua própria opinião a respeito.
 
A Artista Inêz Oludé da Silva, é pesquisadora incansável, folheou milhares de revista, livros, publicidades e há mais de vinte anos e aborda o tema da escravidão como um antídoto à amnésia, à negação e às ocultações vigentes. O fio da meada tem como motor de reflexão o refrão africano que diz « Enquanto os leões não tivrem historiadores as histórias de caça serão sempre a favor do caçador ».
Baseado em documentos da época realizados pelos povos escravagistas, às vezes obtidos durante viagens nos países de estradas percorridas pelos escravos, o trabalho de Inëz Oludé mistura colagens e pintura e é concebido como uma viagem iniciática no centro da memória dos povos oprimidos, mas também na boa consciência dos opressores. Foi definido assim pelo Diretor Geral da Unesco Koïtchiro Maatsura durante a inauguração da exposição em 2004, na Unesco de Paris: “ O estilo de Inêz Oludé da Silva revela uma dimensão profunda da tragédia do tráfico negreiro que nos leva à tomada de consciência sobre o dever de memória”.
Esta obra longa, sem concessões, em constante evolução, é como que habitada pela presença muda e apreensiva destes homens e mulheres bruscamente tão presentes, através da inegável necessidade de origem. Essa é a força da minha arte. Dedico aos meus ancestrais como modesta contribuição para que tiremos lições do passado, sem nos perder nos labirintos da dor e criarmos estratégias a fim de resistir à amnésia e a negação da nossa história.
 
Apoios:
Brasil: Museu da Abolição do Recife, Ministério da Cultura- MINC, Instituro Brasileiro de Museus- IBRAM, Sistema Brasileiro de Museus, Década do Patrimônio Museológico,(2012-2022). Bélgica: Wallonie Bruxelles International - WBI, Ministério da Igualdade de Chances, Ministèrio da Comunidade Francesa, prefeitura de Saint-Gilles. França: Apoio institucional da Unesco,
Sobre a artista
A artista e curadora pernambucana, Inêz Oludé da Silva, membro do Conselho Nacional de Artes Plasticas da UNESCO e do Internacional Iuoma Group, é artista multimídia: pintora, muralista, colagista, mail artist, ilustradora, poetisa, escritora e professora de francês/português, vive Bruxelas desde 1976, onde chegou como exilada politica. Inêz Oludé participou de exposições coletivas e individuais em renomados museus, bienais e galerias da Europa, Africa e Américas. Realizou projetos em instituições internacionais de grande porte como a Unesco e o Parlamento Europeu, participou de júris de Festivais tais como o de cinema documentário “Lagunimages” (Bénim, 2003), foi representante da plataforma associativa africana no museu da Africa Central deTervuren, na Belgica, foi presidente do Juri de exposições itinerantes do Museu de Arte Contemporânea d’Ixelles, em Bruxelas. Atualmente realiza curadorias de mostras de artistas de diversos continentes e desde 2004 dirige o projeto a 23 de agosto, dia internacional da memória do trafico negreiro e sua abolição, parceiro da Rota do Escravo Unesco desde 2004, fundou em 2007 a Bienal de Artes Brasileiras de Bruxelas.
 
Informações:
Abertura dia 11/05 às 17 h
Conversa com a artista às 17:30
Período 13/05 a 31/07 de segunda a sexta
das 9 às 17h - Sábado das 13 às 17h
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Oficina ‘Ó Paí Ó’ : desconstruindo o racismo através da arte
postal, ministrada pela artista nos dias 17 e 18 - das 14 ás 17h
Endereço: Museu da Abolição
Rua Benfica, 1150 - Madalena Recife - PE, 50720-001, Brasil- +55 81 3228-3248
www.museudaabolicao.com.br
Imprensa Museu da Abolição
Fonte Imprensa Museu da Abolição 01/05/2013 ás 21h

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