MS acompanha ações de prevenção no Conceição

Fonte Agência Saúde/Ascom-MS 16/05/2013 às 9h

Ministro Padilha visitou o hospital, nesta quarta-feira, para verificar os resultados das ações de vigilância e higienização. Houve registro de contaminação de pacientes por KPC e NDM

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quarta-feira (15) o Hospital Conceição de Porto Alegre (RS) para acompanhar os resultados das ações de vigilância e prevenção a infecções hospitalares anunciadas no dia 08 deste mês. O hospital registrou quatro pacientes colonizados pela NDM-1 e um caso de infecção. Também foram identificados 18 pacientes com a bactéria KPC. A visita do ministro ocorreu no Dia Nacional de Combate à Infecção Hospitalar.

Durante a visita, o ministro averiguou todo o processo de higienização que está em curso na UTI do hospital. A Ala 1, onde estavam instalados 15 leitos, foi desocupada e higienizada. Os pacientes foram transferidos para leitos de retaguarda. No processo de higienização foi coletado material e encaminhado para análise laboratorial. Se o resultado revelar que a UTI está isenta da presença de bactérias, os pacientes voltarão para esta ala. Mais três alas de UTI do hospital passarão pelo processo de higienização.Todo o processo deverá estar concluído em 30 dias.

“Está sendo colhido material para ver se a limpeza na primeira área interditada da UTI do Hospital Conceição foi completa. Até agora, o único achado de bactérias em pontos da UTI foi detectado nas torneiras”, relatou o ministro. Segundo ele, o fato demonstra que o principal mecanismo de transmissão é o contato com as mãos. “Isso mostra que deve ser reforçada a rotina de lavagem de mãos”, afirmou Padilha.

Para garantir assistência à população, o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estadual e municipal da Saúde, está disponibilizando mais 25 leitos de UTI, sendo oito em hospitais de Porto Alegre e 17 no Hospital Universitário de Canoas.

OUTRAS MEDIDAS- Também será ampliado o número de profissionais de limpeza na UTI e em áreas fechadas do Hospital Conceição, bem como o controle mais rigoroso no uso de antibióticos, além de intensificadas ações do Programa SOS Emergências. Padilha destacou ainda que outros hospitais devem intensificar ações de vigilância para prevenir novos casos semelhantes.

O ministro Padilha ressaltou que o Hospital Conceição realiza busca contínua de bactérias multirresistentes em pacientes internados em áreas fechadas. Ele explicou que estas bactérias se disseminam no ambiente hospitalar, principalmente em hospitais de alta complexidade, acometendo pacientes em situação crítica, em uso de vários antibióticos.

COMUNICADO DE RISCO - No início de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu o Comunicado de Risco às Comissões de Controle de Infecção Hospital (CCIH) e às Coordenações Estaduais de Controle de Infecção (CECIH). O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, determinou à direção do hospital a adoção de diversas medidas de prevenção e controle, entre elas a formação de uma equipetécnica para acompanhar e fazer um levantamento de toda situação.

Também foi determinada a busca ativa dos pacientes; a implementação de um plano de ação para higienização da UTI do Hospital; a distribuição de produtos saneantes para a limpeza de superfícies do Hospital e, ainda, a coleta de amostras ambientais a serem encaminhadas ao Lacen/RS para exames.

SOBRE AS BACTÉRIAS - As enterobactérias são microrganismos que, em geral, habitam os intestinos humanos e eventualmente podem causar infecção em pacientes suscetíveis, em situação de estresse metabólico, como pacientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pacientes com doenças crônicas debilitantes ou com feridas operatórias; usuários de medicamentos imunossupressores (como os corticoides e os usados para evitar rejeição de órgão transplantado) ou usuários de dispositivos como cateteres e sondas.

A resistência aos antibióticos das enterobactérias é um problema de saúde pública observado em hospitais do mundo todo. A disseminação do mecanismo de resistência e o risco de propagação entre as espécies são elevados. Não há evidências de ameaça às pessoas sadias ou à população, no entanto cuidados, como a lavagem das mãos, com sabão ou álcool gel, é a medida mais simples e mais eficaz no controle da disseminação de bactérias. Além disso, os profissionais de saúde devem manter o protocolo de medidas preventivas.

A KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) e New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1) na¿o são agentes bacterianos, mas um mecanismo de resistência que pode estar presente em diferentes tipos de bactérias Gram-negativas como Klebisella pneumoniae, Escherichia coli, Serratia marcescens, Proteus mirabilis, entre outras. Vale ressaltar que, desde 2009, o Grupo Hospitalar Conceição realiza a procura ativa e sistemática, que tem como objetivo de detectar precocemente desses mecanismos de resistência bacteriano e conter possíveis surtos.

A transmissão ocorre por meio do contato direto, como tocar a outra pessoa, ou por contato indireto, por meio do uso de um objeto comum. Para evitar a maior proliferação, não tome antibióticos por conta própria e siga as orientações médicas. Caso haja necessidade de entrar em contato com pacientes, lave bem as mãos antes e depois. O primeiro registro de KPC no Brasil foi em 2005, mas em outros países ela já existe há mais tempo, inclusive Dinamarca, França e Estados Unidos, países considerados com alto padrão de higienização nos hospitais.

 

Agência Saúde/Ascom-MS
Fonte Agência Saúde/Ascom-MS 16/05/2013 ás 9h

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