Morte de Campos deve mudar rumo de campanha

Fonte ANSA 13/08/2014 às 20h
Para especialistas, PSB não deve sair ileso de morte de Campos.

13 Agosto, 16:11•SÃO PAULO•Por Sarah Germano e Lucas Rizzi

(ANSA) - A morte do candidato à Presidência pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, nesta quarta-feira, dia 13, deve mudar o rumo da campanha eleitoral. Sua provável substituição por Marina Silva na corrida presidencial também levanta diversas questões, como qual será o destino de sua legenda, apontam analistas.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli, a tendência é que os partidários de Marina que tinham dúvidas sobre o PSB concretizem sua escolha de voto. Ele, no entanto, não acredita que o índice passe dos 20% conquistados em 2010, especialmente por conta das mudanças do panorama político. Sobre a possibilidade da comoção com a tragédia influenciar a tendência de votos, ele disse que isso pode ter alguma influência, mas não será um "fator preponderante".

O professor de Ciências Políticas da Universidade de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa, por sua vez, destacou que primeira questão dentro da legenda será a decisão sobre Marina como candidata à Presidência, pois ela não é de dentro do partido e não representa o PSB.

De acordo com o acadêmico, "isso traz implicações grandes, porque Marina tem potencial de votos muito maior, talvez o dobro de Campos, e pode mudar a forma como a eleição estava caminhando, tornar incerto um possível segundo turno".

Para Costa, Campos tinha "uma vice talvez mais importante que ele". O especialista também acredita que o PSB deve passar por um grande reestrutura, pois Campos não deixa um sucessor a sua altura. "E ao fortalecer seu partido, Rede Sustentabilidade, Marina certamente sai do PSB, que entrega esse potencial a outra legenda. O PSB não deve sair ileso" da morte de Campos, destaca.

"Campos não era só candidato, ele era a principal liderança do PSB, administrando os conflitos com a Rede. Ele vai fazer muita falta até para administrar a sua falta. Campos era respeitadíssimo no partido", disse, por sua vez, Carlos Melo, cientista político e professor do Insper. Segundo ele, ainda é incerto qual será a posição do eleitorado do ex-governador de Pernambuco, se ele migrará de vez para a oposição ou volta para o leito do governo.

"Ao mesmo tempo, ela não entra em alguns setores que Campos entrava, como o agronegócio, por exemplo. Alguns segmentos que estavam com ele não vão considerar a hipótese de apoiar Marina", afirma o professor, salientando que, com a morte do candidato, quem perde é o país.

Para o cientista o político André Pereira César, da CAC Consultoria, a mudança radical de um quadro político é ruim para quem está na frente, já que o imponderável pode acontecer. "Além de ser uma perda importantíssima para a política, amigos e familiares, é um movimento muito forte no cenário. A campanha vinha em um momento de estabilidade, o que era bom para Dilma", explica.

Para ele, a tendência é que Marina seja realmente alçada à cabeça de chapa, e ela pode ser uma figura muito mais incômoda para a presidente e para Aécio Neves. "Em um primeiro momento, o risco de segundo turno pode crescer. E ela pode ameaçar a colocação de Aécio e uma eventual ida par ao segundo turno", acrescenta César, sempre lembrando que ainda é prematuro para fazer qualquer análise mais certeira.

O PSB tem até 10 dias para decidir quem será o novo candidato da legenda à Presidência nas eleições de outubro. De acordo com a legislação eleitoral, o partido ou a coligação podem trocar o candidato em caso de falecimento, inelegibilidade, renúncia ou problemas de registro. Marina pode assumir o posto de Campos ou permanecer como vice.

Um jatinho particular que levava Eduardo Campo e sua comitiva do Rio de Janeiro à cidade do Guarujá, em São Paulo, caiu na manhã desta quarta-feira, em Santos, com sete pessoas a bordo, sendo dois pilotos. Não há sobreviventes.

Dilma e Marina são consideradas por alguns como "crias" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As duas foram ministras durante sua gestão e eram tidas como herdeiras políticas do mandatário, até que a idealizadora da Rede rompeu com Lula por divergências a respeito da atenção que o PT dispensava a questões ecológicas. (ANSA)
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Fonte ANSA 13/08/2014 ás 20h

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