Modelo de crescimento baseado na prosperidade global

Fonte FECOMERCIO - SP 22/05/2012 às 20h

Atualmente há uma discussão sobre o modelo de crescimento do Brasil. Muito se fala que, com o crescimento global enfraquecido, os anos de prosperidade de nossa economia ficaram para trás. O que nos resta agora é acompanhar a queda das taxas de crescimento sem muito a fazer. Em parte o argumento é válido, mas em parte é puramente fetichismo dos arautos do desastre de sempre.

Claro, o modelo de crescimento do Brasil se baseia no crescimento global. Mas qual modelo de economia complexa e grande não depende da economia global? Aliás, o Brasil se sustentou melhor do que a média desde 2008 por conta de um modelo que não era tão vulnerável quanto outros, ao desempenho dos mercados financeiros e consumidores externos. Mas, se todo o resto do mundo inclusive a China e os Estados Unidos crescerem menos, quem vai resistir? Essa resposta vale US$ 1 milhão e mais uma taxa de crescimento superior àquelas que estão por aí.

O argumento de que a onda boa passou é um pouco frágil. Em primeiro lugar porque ninguém garante que não haverá recuperação das taxas de crescimento globais ao longo dos próximos anos. Em segundo lugar, porque é um argumento tautológico. Na realidade, a hipótese é de que o Brasil depende dos preços de commodities para crescer. Com a desaceleração global, caem os preços das commodities e, portanto, cai o crescimento do País. O engraçado é que em tese o modelo teria que ser o contrário para a China, pois ela depende do consumo de commodities para crescer, e, portanto, a queda nos preços favoreceria sua competitividade.

Na realidade, essas hipóteses são simplistas demais e se pautam em um modelo de dois tipos de países especialistas e no qual o desempenho de um só influencia o outro quando interessa para o analista. Os dois países típicos seriam o Brasil e a China ou os Estados Unidos e a China. No caso Brasil/China nós produzimos commodities e eles compram. Se eles estiverem bem, as commodities estão bem. Só que quando eles vão mal, os preços das commodities baixam e tudo fica ruim para nós também. Nesse modelo a causa é a China, e o efeito é o Brasil. Mas por que nessa ordem e em qual magnitude? É um modelo sem muitas explicações, com interdependência de um sentido só e muito simplório. Se o modelo for Estados Unidos/China é mais engraçado, porque se inverte a lógica: Estados Unidos compra e China produz. Se os americanos param de consumir, a China não tem para quem vender. Outra vez, o modelo é originário de uma relação causa e efeito direta e sem explicações um pouco mais profundas. Por que os americanos consumiriam? Ou por que não? E se os modelos de desenvolvimento fossem um pouco mais complexos, adotando produtividade, ciclos, interrelação entre as economias, crises e booms financeiros? Será que funcionaria assim? Se o modelo é simples assim, com americanos consumindo felizes e prósperos, a China produzindo para seus clientes ricos e os brasileiros surfando a onda, somos fornecedores privilegiados das fábricas chinesas, basta descobrirmos um meio de manter os americanos consumindo com crédito infinito e nos manteremos todos felizes.

FECOMERCIO - SP
Fonte FECOMERCIO - SP 22/05/2012 ás 20h

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