MME: Brasil terá gás para energia elétrica com preço competitivo até 2020

Fonte RCE 21/04/2013 às 11h

MME: Brasil terá gás para energia elétrica com preço competitivo até 2020

Os leilões de gás em terra que serão realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) a partir deste ano vão garantir um preço competitivo do gás para energia elétrica no Brasil, no máximo, até 2020. O cenário foi projetado pelo secretário de Desenvolvimento e Planejamento Estratégico do Ministério das Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho.

A 12ª Rodada de Licitações, que terá como alvo áreas de gás natural on shore, será realizada nos dias 30 e 31 de outubro. “Todas as indicações são de que, nos locais a serem licitados, deve haver uma quantidade significativa de gás”, afirmou Altino em entrevista concedida após palestra no seminário “Eficiência energética: projetos, determinações e investimentos”, realizado hoje (19) pela Câmara de Comércio Americana (Amcham Rio).

Altino Filho espera que o setor elétrico aproveite o gás dessas áreas instalando usinas térmicas a gás de ciclo combinado “na boca do poço”, colocando a energia nos sistemas de distribuição já instalados. “É aproveitamento do gás na boca do poço com térmicas de alta eficiência e, assim, teremos gás a preços competitivos”, acredita.

O secretário refutou a possibilidade de que venha a ocorrer, com a energia a ser gerada nessas termelétricas, o mesmo problema registrado em algumas usinas eólicas, que foram concluídas antes que houvesse linhas de transmissão disponíveis para escoamento da energia. “Hoje o sistema interligado brasileiro abrange praticamente todo o território nacional. Além disso, o sistema de transmissão está nas proximidades desses locais, ou a linha passa muito perto, ou haverá tempo hábil para fazer um reforço”, explicou.

Apesar das boas perspectivas em relação ao gás, Altino Filho ressaltou em palestra que, pelo menos no que diz respeito aos planos já delineados para o período que vai até 2021, as prioridades do Ministério são três fontes de energia elétrica: hidrelétrica, éolica e biomassa. O argumento é que o Brasil tem grande volume disponível dessas fontes, que não terão problemas de escassez nos próximos 10 a 15 anos.
Além disso, essas fontes, além de renováveis, são competitivas, na avaliação do Ministério.

Adicionalmente, é considerado vantajoso que exista tecnologia nacional na hidro e na biomassa, “ainda que na eólica ainda sejam necessários alguns passos”. Do ponto de vista ambiental, destaca o secretário, essas são as fontes mais adequadas.

Essas três fontes, juntas, deverão ser responsáveis por 76,4% da expansão do sistema elétrico até 2021. O Ministério vai priorizá-las e garantir essa fatia de participação a partir das diretrizes dadas aos leilões de energia que serão realizados nos próximos anos. Segundo o secretário, a capacidade instalada no Brasil passará de 117 mil MW em 2011 para 197 mil MW em 2021. Desse total, 46% serão assegurados pela hidroeletricidade (36.400 MW), 17,8% pela eólica (14.200 MW) e 13% pela biomassa (10.400 MW).

SOLAR – Enquanto desenvolve as três fontes prioritárias e trabalha para tornar o mercado de gás mais competitivo no País, o Ministério estuda como estimular o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica. “Estamos buscando um momento adequado para realizar leilões”, avisou o secretário.

Segundo ele, nos últimos três anos o Ministério das Minas e Energia tem recebido missões de empresários internacionais de vários países europeus, como a Alemanha, interessados em transferir programas de investimentos e tecnologia nesse segmento para o Brasil. “Nós não queremos ser importadores de painéis, queremos fabricar aqui em função do nosso mercado e todos esses empresários sinalizaram com redução gradual dos custos”, disse.

Altino Filho enfatizou que a energia solar fotovoltaica tem duas linhas distintas. A primeira é a geração distribuída - já regulamentada no Brasil pela Aneel e para a qual não serão realizados leilões e o papel do governo deve se concentrar em financiamentos – e que terá um desenvolvimento lento e que ocorrerá via adesão dos consumidores.

A segunda linha diz respeito à chamada fotovoltaica centralizada, que inclui a construção de uma usina de 200 MW, 300 MW. Nesse caso, segundo ele, o valor da energia a ser gerada ainda está longe de ser competitivo. “Estamos acompanhando o mercado para identificar quando vamos lançar um programa para essa fonte, não queremos lançar um programa que não tenha sustentabilidade”, justificou. “Para resumir, eu diria que o momento da fotovoltaica centralizada está chegando, mas não é de imediato. Se olharmos para 2015, com perspectiva de redução de custos, talvez seja esse o momento de checarmos essa alternativa e desenvolvermos essa fonte. Por isso ela ainda não aparece no Plano Decenal, ainda não estamos no momento para lançá-la, não vamos tomar decisão precipitada”, acrescentou.

De acordo com Altino Filho, os investimentos em energia no País deverão ser equivalentes a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2012 e 2021, ou 10,7% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, que mede os investimentos no PIB), o que significa um esforço similar ao realizado pelo País na década de 80.

 

RCE
Fonte RCE 21/04/2013 ás 11h

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