MMA pode causar distúrbios substanciais à química do cérebro

Fonte Saúde em Pauta 09/05/2012 às 8h
Anderson Silva, Antônio Rodrigo "Minotauro" Nogueira e Mauricio Shogun são ídolos de um esporte em ascensão no cenário mundial, o MMA, sigla de Mixed Martial Arts, ou em português, Artes Marciais Mistas. Com salários milionários aos competidores e elevados investimentos de grandes empresas em marketing e projetos sociais em vários países, este tipo de luta possibilita a utilização de diversas modalidades em conjunto, como o jiu-jitsu, boxe, judô e muay thai. Entretanto, por ser um esporte de contato, o acompanhamento médico adequado é imprescindível para prevenir complicações futuras, principalmente, problemas e transtornos neurológicos.


Riscos como a Doença de Parkinson, crises convulsivas e obstrução das artérias no pescoço são consequências que esta modalidade pode ocasionar. "Repetitivos golpes na cabeça causam sérios danos na região cerebral. Perda transitória ou definitiva da consciência, inchaço e hematomas cerebrais são prejuízos que podem ocorrer", afirma o Dr. Koshiro Nishikuni, neurocirurgião do Hospital Santa Cruz.


A preparação física elaborada pelos staffs e sparrings, ou seja, treinadores e companheiros de treino associado à equipe médica são essenciais para a saúde dos atletas, pois se feito de maneira errada pode proporcionar problemas a longo prazo. "Pode causar encefalopatia crônica traumática do pugilista, isto é, demência tardia consequente de traumas cerebrais repetitivos", diz o especialista, acrescentando que além destes danos, sequelas psíquicas, cognitivo-comportamental, motora e funcional podem se manifestar. “No pugilismo, dentre 8390 lutadores, 250 apresentaram alterações neuropsiquiátricas. Destes, 17% tinham sequela neurológica crônica, 6% apresentavam demência pugilistica e 4% grave comprometimento da memória".


Nocaute


O nocaute é o grande vilão dos competidores, pois além de perder a luta, eles ficam suscetíveis ao desenvolvimento de lesões. De acordo com o Dr. Leonardo Takahashi, neurocirurgião do Hospital Santa Cruz, entre os anos de 1950 e 2007, ocorreram 339 mortes de pugilistas, sendo 64% destas por este método. "O nocaute seria equivalente a concussão cerebral. Existem chances de lesar pequenas veias cerebrais e grande possibilidade de agregar morbidade e mortalidade", completa.


Os golpes na cabeça podem causar distúrbios substanciais à química do cérebro. Contusões em áreas eloquentes resultam em transtornos na fala, na linguagem, na audição, na visão e em outros tipos de sensibilidade.


O Dr. Koshiro Nishikuni ressalta que algumas lesões como as encefálicas, ou seja, resultada de impactos ou consequências de edemas e isquemias, chegam a ser irreversíveis. "É possível realizar o tratamento cirúrgico quando há hematomas ou inchaço cerebral difuso em pacientes críticos, mas nos casos de lesão às fibras nervosas através de lesão axonal difusa, pode não ser reversível. O acompanhamento neuropsicológico periódico para avaliar evolutivamente alterações cognitivas e motoras é fundamental”, conclui.


Perda de peso antes da luta


A divisão dos competidores é feita pelo peso. As categorias variam de moscas (lutadores até 56,7 kg) a super pesados (acima de 120 kg). Em muitos casos, os atletas precisam perder peso antes dos combates. Segundo o neurocirurgião, Dr. Leonardo Takahashi, os diuréticos são frequentemente utilizados. "Este uso pode provocar desidratação, perda de potássio e acidose metabólica", diz o especialista, enfatizando que a perda de água no organismo diminui a força do competidor, além de "aumento na percepção de dificuldade nas tarefas, menor concentração, dores de cabeça e aumento da tensão, da ansiedade e da fadiga", completa.
Saúde em Pauta
Fonte Saúde em Pauta 09/05/2012 ás 8h

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