Ministro da Defesa colombiano não descarta saída da Unasul

Fonte Agência Brasil 19/11/2009 às 0h
O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, disse hoje que seu país não descarta a possibilidade de deixar a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), caso o grupo mantenha a posição de evitar as discussões sugeridas por Bogotá.

"Eventualmente, se este impasse continuar e não vermos preocupação pelo armamentismo, o tráfico de armas, o narcotráfico e o crime organizado, ficará claro que não há sensibilidade pelos temas colombianos, seríamos apenas convidados engessados e assim avaliaríamos a possibilidade" de sair, afirmou Silva, que ontem esteve em Quito, no equador, onde participou da reunião de ministros da Unasul.

O encontro, contudo, terminou depois de nove horas de discussões e sem um consenso. Junto ao chanceler Jaime Bermúdez, Silva abandonou a reunião. Os chanceleres e ministros da Defesa sul-americanos discutiam parâmetros para que os governos da região troquem informações sobre estratégias de defesa e ações militares.

O foco principal, porém, era o acordo entre Colômbia e Estados Unidos, mas os colombianos se recusaram a apresentar detalhes do tratado, como pediam os outros participantes.

Hoje, Silva disse que os aspectos podem ser mostrados aos países da região, mas isto "dependerá de haver simetrias". Para ele, a reunião de ontem foi "tensa e difícil" e houve "complô contra a Colômbia, promovido por alguns países que têm interesse em falar de seus problemas e preocupações, mas não mostram sensibilidade em relação aos nossos".

O ministro disse ainda que, apesar disso, Bogotá mantém a "esperança que o caminho possa ser encontrado" para que se discutam os temas propostos pelos colombianos.

Ele destacou também a postura construtiva e "bastante neutra" do chanceler do Equador, Fander Falconí. Equador e Colômbia romperam relações diplomáticas no ano passado, após o Exército colombiano realizar uma incursão ilegal em território equatoriano.

Falconí anunciou ontem que se reunirá com Bermúdez na próxima semana, quando os dois estarão em Nova York para a Assembleia Geral da ONU. Se confirmado o encontro, esta será a primeira aproximação oficial para retomar as relações diplomáticas.

Em declarações à Rádio Caracol, Silva também descartou a oferta do chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, para mediar o conflito que a Colômbia mantém com a Venezuela.

Em julho, o governo de Hugo Chávez ordenou o congelamento das relações diplomáticas e comerciais com o país vizinho, devido a acusações de autoridades colombianas de que a Venezuela teria fornecido armamentos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e também por conta do acordo com os Estados Unidos.

Ontem, ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, Zapatero reiterou sua oferta para ajudar a solucionar a crise entre as duas nações. Segundo ele, a Espanha estaria "disposta a trabalhar para aproximar posturas, o que inclui Venezuela e Colômbia".
Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 19/11/2009 ás 0h

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