Ministro chileno condena ultimato de governo de facto de Honduras ao Brasil

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O chanceler chileno, Mariano Fernández, qualificou hoje de "cavernosa" a ameaça do governo de facto de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permanece há uma semana o presidente constitucional hondurenho, Manuel Zelaya.

Fernández repudiou o prazo de dez dias dado por Micheletti ao governo brasileiro no último fim de semana. "É uma declaração temerária. As embaixadas e representações diplomáticas são invioláveis pela Convenção de Viena. Elas são, além disso, uma das fontes principais que permitem o asilo político moderno, porque estão a salvo de qualquer intromissão da jurisdição nacional".

"O que o senhor Micheletti está declarando francamente é temerário e perigoso para o Brasil, porque se ameaça a representação diplomática e as pessoas que vivem ali, mas é muito perigoso para Honduras, porque o país é colocado em uma situação frente à comunidade internacional", disse o ministro chileno.

Em declarações à rádio Cooperativa, Fernández indicou ainda que nem nos golpes de Estado mais cruéis se atropelou a imunidade das embaixadas. "No caso do golpe de Estado no Chile, em 1973, não foi violada a imunidade de nenhuma representação diplomática que refugiou centenas de asilados. O que Micheletti está fazendo é cavernoso", expressou.

O chanceler criticou também o decreto de suspensão das garantias constitucionais, divulgado ontem, que restringe a livre circulação e a liberdade de opinião, e afirmou que o governo de facto hondurenho está indo "por um mau caminho".

"Ao invés de resolver a situação levando-se em consideração que ninguém na comunidade internacional, nem na África, nem na Europa e nem nas Américas aceita que haja golpes militares na América Latina... eles não se dão conta [disso] e estão fazendo exatamente o contrário", considerou Fernández.

Ontem, em rede nacional, o governo de facto de Honduras determinou o prazo de dez dias para que o governo do Brasil "tome imediatamente medidas para assegurar que o Sr. Zelaya deixe de utilizar a proteção que da missão diplomática brasileira para instigar a violência em Honduras".

Zelaya, deposto no dia 28 de junho, está desde a última segunda-feira (21) na Embaixada do Brasil na capital hondurenha. Na sexta-feira passada, a casa de dois pavimentos, que abriga a representação brasileira, foi alvo de ataques.

Segundo relatos, foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo a partir de janelas de residências vizinhas, ocupadas por militares. As autoridades do país, por sua vez, negaram terem realizado tal ação.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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