Micheletti se diz disposto a respeitar acordo de San José

Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 às 0h
O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou que está disposto a "respeitar letra por letra, ponto por ponto" do acordo de San José, assinado no último dia 30 com o objetivo de colocar fim à crise política do país.

Por meio de um comunicado, Micheletti ressaltou que firmou o documento com "boa fé, confiando chegar à reconciliação nacional e ao fortalecimento da democracia em Honduras".

O presidente também comentou o fato de Zelaya ter declarado, na última sexta-feira, que o acordo "fracassou", após os atuais dirigentes hondurenhos montarem um governo de unidade sem integrantes do antigo regime.

"Essa mudança de atitude de uma das partes coincide com os pronunciamentos do Grupo do Rio, especialmente dos países da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, ndr.), que se mostram céticos ao acordo, perguntando "como o senhor Zelaya foi capaz de assinar este documento?" e impulsionando-o a o declarar fracassado".

O acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política, Oscar Arias, foi assinado por representantes do governo de facto e do presidente destituído de Honduras, Manuel Zelaya, com mediação de delegações dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O texto prevê a formação de um governo de unidade e determina que a restituição de Zelaya -- principal motivo de desacordo entre o governo de facto e o deposto -- seja decidida pelo Congresso Nacional, com uma prévia análise da Suprema Corte de Justiça.

Na última sexta-feira, no entanto, Zelaya declarou que o acordo havia "fracassado", porque Micheletti não incluiu nenhum de seus ministros na formação do governo de unidade.

O presidente de facto se defendeu dizendo que Zelaya não indicou o nome de seus ministros dentro do prazo para a apresentação do novo governo, cujo limite era meia-noite do último dia 6 (o equivalente às 4h do dia 7, no horário de Brasília)--.

"O processo que agora se desenvolve é liderado pela Comissão de Verificação, não para renegociar o acordo, como alguns pretendem fazer, mas para fazer valer o cumprimento do mesmo", destacou Micheletti, no comunicado.

"Espera-se que os membros desta alta Comissão de Verificação não tomem partido de nenhuma parte, nem ofereçam declarações que tendam a complicar mais os desencontros e, muito menos, fazer com que uma das partes se retire unilateralmente do acordo", ratificou.

Ontem Zelaya declarou à rádio Globo que o acordo é um "engano", pois a crise política hondurenha deve ser solucionada com a sua restituição. O presidente, que sofreu um golpe de Estado em 28 de junho, também acusou Micheletti de tentar se perpetuar no poder formando um governo de unidade liderado por ele.

Já o governo de facto de Honduras defende que a resolução da crise política esteja na realização das eleições gerais, marcadas para 29 de novembro.

A comunidade internacional, no entanto, advertiu diversas vezes que não reconhecerá o pleito caso Zelaya não volte ao poder.

O candidato presidencial independente de esquerda, Carlos Reyes, anunciou no último domingo que não participará mais das eleições, porque não quer contribuir para a legitimação do golpe de Estado.

"Definitivamente nos retiramos do processo eleitoral e amanhã (hoje, ndr.) vamos comunicar o Tribunal Superior Eleitoral", disse Reyes, que ainda está com um braço imobilizado devido a um confronto com a polícia durante uma das manifestações da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado.

Outros candidatos à presidência, como o deputado César Ham, do partido Unificação Democrática (UD, de esquerda), também cogitaram abandonar a disputa.
Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 ás 0h

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