Micheletti diz que crise em Honduras poderá ser solucionada esta semana

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, disse hoje que a crise política de Honduras poderia ser resolvida esta semana e afirmou estar disposto a revogar o decreto que suspende as garantias constitucionais, em vigor desde o último mês.

"A minha decisão é revogar o decreto [que suspende as garantias constitucionais]. Mas será o Congresso" que irá decidir, disse Micheletti em declarações a um programa de TV local.

O estado de sítio, instaurado por 45 dias, foi determinado após o retorno do presidente constitucional do país, Manuel Zelaya, deposto no último dia 28 de junho. Desde que voltou a Honduras, no dia 21 de setembro, ele está instalado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que está cercada por policiais e militares.

Sobre a negociação por uma saída à crise política, Micheletti indicou que a solução mais viávelseria uma proposta "terceira", que incluiria sua renúncia e a não restituição de Zelaya. A presidência seria exercida então pelo atual presidente do Congresso Nacional, José Angel Saavedra, explicou o governante de facto.

Com isso, Micheletti propõe uma nova discussão, contrariando o Acordo de San José, do presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que prevê o retorno imediato de Zelaya à presidência com poderes limitados.

Micheletti disse ainda que tal negociação não contemplaria uma anistia a Zelaya e nem a possibilidade de se instalar uma Assembleia Nacional Constituinte para reformar a Carta Magna, como pretendia o presidente constitucional do país antes de ser derrocado.

O mandatário deposto é acusado pela Justiça de Honduras de uma série de crimes, entre eles o de desrespeitar a Constituição.

Para discutir a situação e buscar uma solução com as partes envolvidas, uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), liderada pelo secretário-geral da instituição, José Miguel Insulza, chega esta semana ao país.

Mais uma vez, Micheletti falou sobre o encontro "secreto" que manteve na última semana com Insulza na base militar de Palmerola, onde falou sobre todas as possibilidades para resolver a crise hondurenha.

Por sua vez, Insulza confirmou a reunião, que tinha o objetivo de "promover um diálogo entre as partes em conflito a fim de restabelecer a democracia e a ordem constitucional em Honduras", segundo disse em um comunicado na última semana.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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