Manifestantes pró-Zelaya programam nova mobilização para hoje

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
Novas manifestações para exigir o retorno do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, estão programadas para hoje nas duas principais cidades do país, anunciou o titular do Bloco Popular, Juan Barahona, que denunciou a repressão policial contra as mobilizações realizadas ontem em Tegucigalpa e San Pedro Sula.

"Os golpistas estão desesperados e reprimem o povo, um povo que unicamente tem força para resistir", disse Barahona ao referir-se aos confrontos de ontem, que terminaram na detenção de dezenas de pessoas e deixaram vários feridos.

Os militares e os policiais "nos perseguiram por toda a capital, mas isso não irá parar a nossa luta, esta luta de resistência pacífica contra os golpistas, que não poderão consolidar-se no país".

Barahona contou ainda que há apoiadores do governo de facto, de Roberto Micheletti, que se infiltram nas manifestações e causam distúrbios para facilitar a repressão dos militares.

Os manifestantes de todo o país -- que exigem a restituição de Zelaya como condição indispensável para resolver a crise em Honduras -- têm se concentrado nas duas principais cidades do país, a capital Tegucigalpa e San Pedro Sula.

Ontem, em Tegucigalpa, os simpatizantes do mandatário deposto se mobilizaram em frente ao Congresso. Militares que cercavam o local lançaram gases lacrimogêneos e agrediram os manifestantes. Um dos feridos foi o deputado Marvin Ponce, do partido Unificação Democrata (de esquerda), que depois foi internado em um hospital particular, informou sua filha Maryori.

O dirigente Rafael Alegria, um dos coordenadores da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, relatou que cerca de 60 pessoas (entre homens, mulheres e jovens) foram detidas. Um dos presos denunciou a uma rádio local que junto a ele havia 14 menores.

Em San Pedro Sula, outra mobilização foi reprimida. Neptalí Ortega, um dos manifestantes, disse que, após o lançamento de gases lacrimogêneos, os policiais atacaram e agrediram as pessoas.

Na terça-feira passada, centenas de pessoas de todo o país viajaram a estas duas cidades, onde realizaram duas grandes concentrações.

O governo da Argentina, por sua vez, anunciou ontem o declínio do convite dirigido ao Exército hondurenho à próxima Conferência dos Exércitos Americanos (CEA), que acontecerá entre 26 e 30 de agosto em Buenos Aires.

Honduras havia sido convidada na condição de membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) no último dia 27 de maio, um mês antes do golpe de Estado.

A ministra da Defesa argentina, Nilda Garré, informou que o cancelamento se deve à "participação desta força no golpe de Estado de 28 de junho passado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya".

Antes, o Ministério da Defesa da Argentina havia suspendido o tratado entre ambos países. Uma forma de protesto contra a ação que tirou o presidente do país.

No Brasil, Zelaya foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem obteve apoio e a promessa de que o governo brasileiro insistirá junto aos Estados Unidos pela resolução da crise da nação centro-americana.

Hoje, Zelaya se reunirá com a chilena Michelle Bachelet, em Santiago do Chile.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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