Juntos pelo bem da ciência

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 15/03/2013 às 20h

Juntos pelo bem da ciência

Associação presidida por pesquisadora associada sênior da UnB reúne pesquisadores, empresários e gestores para impulsionar o desenvolvimento científico local.

A missão já está estabelecida: estimular e difundir a pesquisa, dar suporte a quem promove o conhecimento e aproximar a produção científica e tecnológica da sociedade. Esses são pontos que norteiam o estatuto da recém-criada Associação de Pesquisadores, Empresários e Gestores em Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (APEG-DF). Conheça o estatuto. Constituída em setembro do ano passado, a associação conta com 97 sócios-fundadores e é presidida pela professora aposentada do Instituto de Ciências Biológicas da UnB Maria Sueli Soares Felipe, uma das pesquisadoras mais atuantes do país. “Estamos juntos para traçar caminhos e propor soluções”, informa.

O estabelecimento da APEG-DF ocorreu em paralelo a um período de crise na gestão do financiamento de pesquisas na capital federal. Uma série de denúncias de irregularidades na Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), ligada a Secretaria de Ciência e Tecnologia, culminou na prisão de seis pessoas acusadas de participação em esquema de desvio de dinheiro. Nesse contexto, a associação também é apontada como instrumento importante para resgatar, aprimorar e acompanhar a política local de investimento em ciência.

Pesquisadora de nível 1A, o mais alto que se pode atingir no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e ligada à Universidade de Brasília desde 1972, quando saiu do interior de São Paulo para estudar Química na capital, Maria Sueli Felipe detalha a concepção e as finalidades da APEG-DF. Confira entrevista concedida à UnB Agência.

UnB Agência: O que motivou a criação da APEG-DF?
Maria Sueli: Inicialmente, estávamos muito preocupados com a situação da política e com o caminho da ciência e tecnologia no Distrito Federal. Nosso apoio local, como também ocorre em todos os Estados da Federação, sempre foi a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF. Estávamos vendo que tudo isso estava muito frágil. Tínhamos dificuldades para sermos ouvidos na questão de ciência e tecnologia. Com a situação crítica da FAP-DF, tomamos uma decisão que já estava sendo pensada há pelo menos três anos: paramos tudo e decidimos formar uma associação para discutir e propor caminhos que fossem importantes para o desenvolvimento da área.

UnB Agência: A associação tem uma composição bastante plural, com participações de segmentos da sociedade que não se resumem ao dos pesquisadores. Qual a razão disso?
Maria Sueli:
Essa associação agrega pesquisadores, gestores de órgãos locais e nacionais e também os empresários que usam da base de ciência e tecnologia para o desenvolvimento de suas atividades. O desenvolvimento tecnológico de uma região, ou país, é dependente do desenvolvimento científico e precisa destes três segmentos para alcançar os seus objetivos: academia, governo e empresários. Quanto mais pessoas agregarmos, melhor. Certamente, assim, teremos uma associação mais atuante. Precisamos fazer um trabalho muito forte para trazer esses setores para a associação. A ideia no momento é fazer contato com a Federação das Indústrias do DF e com órgãos de gestão de tecnologia para trazermos mais pessoas com interesse em participar.

UnB Agência: A associação segue algum modelo bem-sucedido de outro estado? Como ela agirá?
Maria Sueli:
Não sei se nesse formato de associação, mas sabemos que há organizações muito fortes e atuantes, por exemplo, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nossa associação veio para tentar contribuir, não para reclamar. Temos que traçar caminhos e propor soluções para as questões de ciência e tecnologia. É uma associação madura que visa o desenvolvimento socioeconômico da região.

UnB Agência: Como será a relação da associação com a FAP-DF?
Maria Sueli:
Temos que ressaltar que o novo presidente da FAP-DF, Alexandre Gouveia, está fazendo um trabalho de altíssima qualidade na gestão da fundação. Já se tem um plano de ação para 2013 e 2014. Claro que a associação vai olhar e discutir isso. Vamos participar com nossas colocações, de forma crítica e construtiva, para alinhar os projetos e discutir as propostas feitas. Estamos convocando uma reunião da APEG-DF para discutirmos alguns dos pontos do plano da FAP-DF. Temos que ter clareza para contribuir para o avanço da FAP-DF, que é de extrema importância para a região. É bom ressaltar que as atribuições da associação vão além disso. Ela tem seu estatuto centrado na ciência, tecnologia e inovação.

UnB Agência: Como será o diálogo da APEG-DF com o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Científico da UnB (CDT) e com os pesquisadores da universidade?
Maria Sueli:
É muito importante estabelecermos um contato estreito com o CDT. Temos um caminho aberto para isso, sempre tivemos, mas ainda não tivemos condições de estabelecer esse diálogo. Ainda não contamos com a divulgação necessária para projetar a associação. Tentamos captar o máximo de pessoas durante a formação e agora estamos tentando divulgá-la melhor. Precisamos falar o máximo possível da APEG-DF na UnB e agregar o máximo de pesquisadores, representantes das varias áreas do conhecimento da UnB. Os pesquisadores podem a qualquer momento se associar e participar como sócios da APEG-DF.

UnB Agência: Qual é a responsabilidade de ser a primeira presidente de uma associação como essa?
Maria Sueli: Temos que organizar a associação muito bem e deixar o caminho aberto para que as pessoas que assumirem no futuro continuem o trabalho. Nossa linha é a de manter a clareza e a seriedade nas ações voltadas para ciência, tecnologia e inovação. Temos que primeiro crescer e, depois, tentar nos consolidar.

Mais informações sobre a APEG-DF e como se associar podem ser obtidas com a primeira secretária da associação, professora Cristiane Barreto, pelo e-mail crisbarreto@gmail.com.

Foto: Emília Silberstein/UnB Agência

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 15/03/2013 ás 20h

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