Itália confirma que recorrerá de sentença contra crucifixos em escolas

Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 às 0h
A Itália confirmou hoje que irá recorrer da sentença emitida pela Corte Europeia de Direitos Humanos na última terça-feira, que condenou o país a pagar uma indenização de 5 mil euros à cidadã italiana de origem finlandesa Soile Lautsi.

Ela havia solicitado à escola de seus filhos a retirada de crucifixos das salas de aula, mas o pedido foi negado. A instituição de ensino fica na cidade de Abano Terme, na província da Padova.

Em sua decisão, a Corte entendeu que a presença de símbolos de representação religiosa em escolas constitui "uma violação [dos direitos] dos pais de educar seus filhos segundo suas próprias convicções".

A apresentação do recurso foi ratificada pelo Conselho de Ministros da Itália, que se reuniu nesta sexta-feira, e confirmado por fontes do governo.

O advogado Nicola Lettieri, que defende o país na Corte, sediada em Estrasburgo, na França, já havia antecipado que o país recorreria da sentença. O caso ficará a cargo do ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini.

Em uma entrevista coletiva, o premier italiano, Silvio Berlusconi, lembrou que a decisão da Corte não é proibitiva, nem exige que os símbolos religiosos sejam retirados das escolas.

"Não é uma sentença coercitiva. Não há nenhuma possibilidade de coerção que nos impeça de manter os crucifixos nas salas de aula" independente do sucesso do recurso, afirmou ele.

A decisão da Corte tem gerado críticas também entre membros da Igreja Católica. O cardeal de Cracóvia, na Polônia, e ex-secretário pessoal do papa João Paulo II, Stanislaw Dsiwisz, classificou a sentença como "incompreensível" e disse que ela suscita "sérias preocupações para o futuro da liberdade religiosa na Europa".

Em entrevista à agência católica polonesa Kai, Dsiwisz afirmou que a opinião expressada pelo Tribunal de Estrasburgo não tem nada em comum com as ideias dos fundadores da União Europeia.

"Os juízes que assumem o papel de guardiões da liberdade, com essa sentença não fazem nada além de negá-la eles próprios", disse o cardeal. "Assim se tenta eliminar o cristianismo da vida pública", acrescentou.
Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 ás 0h

Compartilhe

Itália confirma que recorrerá de sentença contra crucifixos em escolas