Insulza pretende se reunir com Lula para discutir situação de Honduras

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse ter conversado com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, sobre a situação de Honduras e que pretende discutir o tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele deverá se reunir com Lula durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa amanhã em Nova York.

O secretário-geral está na cidade norte-americana, assim como Lula -- que abrirá o evento de amanhã, já que é tradição um presidente brasileiro fazer o primeiro discurso.

Ontem o presidente destituído de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao seu país e se refugiou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o que fez com que Insulza pedisse para o mandatário de facto, Roberto Micheletti, outorgar garantias a Zelaya e à sede diplomática.

"Apoiamos e pedimos tanto para a sede brasileira como para o senhor Zelaya todas as garantias que correspondem", declarou o secretário-geral à rádio Cooperativa.

O presidente hondurenho foi deposto por meio de um golpe de Estado no último dia 28 de junho devido à sua intenção de realizar uma consulta popular para modificar a Constituição do país. Zelaya ainda é acusado de uma série de irregularidades e de suposta corrupção.

Diante das circunstâncias, o Conselho Permanente da OEA se reuniu e aprovou por unanimidade uma resolução que pede a assinatura do Acordo de San José, documento proposto pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política, Oscar Arias, que prevê, entre outras coisas, a volta de Zelaya a seu cargo.

"Não tenho nenhum interesse em participar de um conflito. Quero ajudar o diálogo para resolver a crise por via do entendimento. Não cabem muitas alternativas, senão iniciar uma negociação", completou Insulza, que pretende viajar hoje para Honduras.

Desconhece-se, no entanto, como o secretário-geral entrará no país, uma vez que o governo de Micheletti ordenou o fechamento de todos os aeroportos e estendeu por mais 24 horas o toque de recolher.

Insulza ainda expressou esperança de que Micheletti "revise" sua decisão de dar por encerrada a intermediação de Arias, "porque está claro que o país está profundamente dividido, e isto não pode se manter por muito tempo".

O presidente de facto, por sua parte, ratificou que o Acordo de San José fracassou com a chegada de Zelaya ao país.

"Terminou desde o momento que o senhor Zelaya chegou aqui, sem estar em um comum acordo com ninguém para fazer isso. Automaticamente rompeu as conversas de San José e eu acredito que o senhor Arias já não tem absolutamente nada que fazer neste conflito", anunciou na ocasião.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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